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segunda-feira, 14 de junho de 2010

Dunga defende time, diz que críticas são pessoais e fala pouco do rival


Na véspera do jogo contra a Coreia do Norte, técnico diz que treinos são 'privados' e que presença de pessoas poderia atrapalhar o trabalho
Na última entrevista coletiva antes da estreia do Brasil na Copa do Mundo, o técnico Dunga pouco falou sobre o jogo contra a Coreia do Norte, que será realizado nesta terça-feira, em Joanesburgo. Gastou mais tempo justificando seu método de trabalho e defendendo o grupo que está na África do Sul, muitas vezes com ironia.
Um dos principais temas abordados pelos jornalistas foi a opção por treinos fechados às vésperas do primeiro jogo no Mundial. No fim de semana, a imprensa ficou fora das duas atividades realizadas - foram três treinos em Joanesburgo, no total, sem a presença de jornalistas.

- Talvez o Rodrigo Paiva (diretor de comunicação da CBF) não tenha falado, por ser muito educado e não querer conflito. Mas não é treino fechado. É treino privado. Porque se quisermos fazer alguma coisa diferente, parar toda hora para treinar algo, acaba não digo atrapalhando, mas disturbando (sic). Claro que no jogo tem gente, mas é diferente. Vocês não dizem que o jogador tem que ter criatividade? Então vocês usem a criatividade para escrever também – disse.
A questão voltou à pauta em seguida, quando o treinador foi questionado se a seleção padecia de falta de criatividade. Ele usou os números para defender o trabalho. E aproveitou também para criticar a imprensa por ter noticiado que as dores nas costas de Julio Cesar preocupavam - o goleiro se machucou no amistoso contra o Zimbábue e perdeu vários dias de treino em tratamento. Dunga também ressaltou que as críticas são pessoais, feitas para atingi-lo.
- Uma equipe que faz cento e poucos gols é criativa. Uma equipe que toma 30 e poucos gols tem equilíbrio. Quando nasci, já ouvia esse assunto de criatividade. As críticas maiores são porque o treino é privado, porque não tem entrevista exclusiva, não tem jantar com cinco ou seis (jornalistas). As críticas são mais em relação ao meu estilo. Não incomodam. Se fosse dar bola para tudo que escrevem... Um dia desses o Julio Cesar estava fora do jogo pela manhã. Depois, foi o melhor do treino da tarde. Eu enlouqueceria. Ficaria com cabelos brancos em um dia – comentou.
O clima de confronto com a imprensa foi franco por parte do técnico. O comandante da equipe que tentará o hexa não poupou palavras ao falar da sua relação com os jornalistas.
- Desde que nasci existe este confronto entre a imprensa e o técnico da seleção. Existe a liberdade de opinião. Mas eu apanho de manha à noite. Aí, quando eu respondo, dizem que eu sou rancoroso. Mas você leva vantagem. Você tem 24 horas para me bater. Quando respondo, é só um segundo. Mas o rancoroso sou eu.

Uma equipe que faz cento e poucos gols é criativa. Uma equipe que toma 30 gols tem equilíbrio. Quando nasci, já ouvia esse assunto de criatividade. As críticas maiores são porque o treino é privado, porque não tem entrevista exclusiva"
Dunga
Rusgas e mágoas à parte, o treinador também falou do adversário, ainda que pouco. Para ele, o amplo favoritismo contra os norte-coreanos não deve ser levado em conta. Segundo Dunga, é preciso manter o foco para evitar qualquer tipo de surpresa contra o adversário considerado o mais fraco do Grupo G. Costa do Marfim e Portugal completam a chave.

- Temos de entrar concentrados, respeitando a Coreia, jogando no nosso limite para vencer. Treinando, repetindo as jogadas, vamos crescendo a cada treino, a cada jogo. Esperamos fazer uma boa apresentação e vencer – afirmou.
Sobre o jogo adversário, foi econômico.
- É um time que joga compacto, saindo em velocidade. Tem três jogadores que atuam fora da Coreia do Norte, o que os ajudou muito.
"Diria que Inter e Roma têm mentalidade brasileira"
Um jornalista italiano tentou definir o perfil da seleção brasileira. Citou alguns jogadores convocados por Dunga que jogam na Itália ao perguntar se o time sofria influencias daquele país, com tradição de jogar retrancado e sair no contra-ataque. O técnico preferiu analisar de outra forma.
Vocês não dizem que o jogador tem que ter criatividade? Então vocês usem a criatividade para escrever também"
- Eu diria que Inter e Roma têm mentalidade brasileira. Há mais de 40 anos o Inter de Milão não conquistava a Liga dos Campeões (45 exatamente). Ganharam com Julio Cesar, Maicon e Lúcio, nosso capitão. Há quanto tempo o Roma não brigava pelo título do Campeonato Italiano? É tudo uma questão de ponto de vista. Você vê por um lado e eu vejo por outro – respondeu, em italiano.

A única pergunta que ele respondeu sem o tom de contra-ataque foi sobre a altitude. Na África do Sul, a seleção vai jogar em duas cidades na primeira fase. Contra Coreia do Norte e Costa do Marfim, em Joanesburgo, que fica a 1.750m acima do nível do mar, e contra Portugal, em Durban, que fica ao nível do mar. Para o treinador, os brasileiros estão bem preparados.

- Justamente por isso que chegamos antes para nos adaptarmos. É difícil para quem chega e joga logo em seguida. Sabíamos que teria isso e era preciso nos preparar. Talvez os europeus não esperassem. Mas podemos fazer um amistoso para eles lá na Bolívia para sentirem as dificuldades da altitude (risos).
Brasil e Coreia do Norte jogam nesta terça, às 15h30m de Brasília (20h30m no horário sul-africano) no estádio Ellis Park, em Joanesburgo.

quinta-feira, 10 de junho de 2010

Daniel Alves defende sina de Messi na seleção: 'Ele leva a nação nas costas'


Lateral brasileiro garante que o melhor jogador do mundo não tem companheiros à altura na seleção argentina como acontece no Barcelona

A expectativa do que Lionel Messi vai fazer nesta Copa do Mundo é grande. Melhor jogador do mundo, o argentino convive com a sina de não conseguir jogar tão bem na seleção como no Barcelona. O brasileiro Daniel Alves, um dos amigos do meia no clube espanhol, procurou defendê-lo nesta quinta-feira, durante a entrevista coletiva no Randpark Golf Club, em Joanesburgo.
Falando em espanhol, Daniel Alves tentou tirar um pouco do peso da responsabilidade que Messi traz para a Copa do Mundo. E garantiu que o argentino não tem na seleção de Maradona companheiros à sua altura como acontece no Barcelona.
- O Messi do Barcelona tem jogadores semelhantes a ele, fica mais fácil de render o que ele vem rendendo. Já na Argentina ele tem uma responsabilidade muito maior, com todo o respeito aos jogadores argentinos. Ele é muito jovem e isso é uma responsabilidade muito grande. É muito difícil para o Messi levar uma nação nas costas.
Depois, o brasileiro procurou amenizar o discurso e garantiu que Messi nunca fez uma crítica direta a ele sobre a qualidade dos companheiros da seleção argentina.
- O Messi é tão boa pessoa que não é capaz de se queixar de nada. Nunca falou nada de dificuldade na seleção argentina. Isso é que faz ele ser um dos melhores do mundo. Ele aguenta tudo sem se queixar de nada. O melhor que ele pode fazer é aceitando as críticas.
Daniel Alves torce para que Messi brilhe na Copa do Mundo. Menos, lógico, se enfrentar a seleção em algum duelo decisivo na luta pelo título. Brasil e Argentina podem se encontrar na semifinal ou na final.
- Exceto contra o Brasil espero que possa fazer um grande mundial. Toda sorte do mundo, menos contra o Brasil. Eu ainda não tive a oportunidade de falar com ele aqui, mas seguramente vamos nos falar.
A seleção brasileira estreia na Copa do Mundo na próxima terça-feira contra a Coreia do Norte, no estádio Ellis Park, em Joanesburgo.

sexta-feira, 4 de junho de 2010

Kaká não elogia, mas defende bola: 'Vou amenizar, não vou criticar' Para meia, polêmica é normal e jogadores da seleção já estão mais adaptados à Jabu


Depois de tanto apanhar, a bola da Copa do Mundo de 2010 encontrou um aliado. Kaká foi um dos escolhidos para a coletiva de imprensa desta sexta-feira, ao lado de Josué. Como esperado, ele não bateu na Jabulani. Afinal, a bola foi desenvolvida por uma de suas patrocinadoras, a Adidas. Mas pode-se dizer que o meia se saiu bem, sem driblar o assunto, mas evitando as divididas. O mais curioso é que o camisa 10 conseguiu defender a pelota sem dizer se a aprovou ou não.
- Eu vou amenizar, não vou criticar. Desde que me conheço como jogador de futebol, há críticas sobre a bola. Foi assim na Copa das Confederações, na Copa do Mundo de 2002, na última e em outros campeonatos. O problema é que no Mundial a repercussão disso é muito maior – declarou o camisa 10 do Brasil.
Defensor da Jabulani, Kaká citou o atacante Luís Fabiano como exemplo de mudança de opinião. O camisa 9 foi um dos que criticaram o produto, que custa cerca de R$ 400 no Brasil. Para ele, a bola tinha algo “sobrenatural”. Julio Cesar, que entrou de sola na polêmica, dizendo que ela parecia com as bolas vendidas em mercado e a rebatizando de 'jaburu', também foi citado pelo meia.
- Criou-se essa polêmica, mas está todo mundo mais adaptado. As opiniões estão mudando. Já vejo o Luis Fabiano beijando a bola, o Julio Cesar estava a abraçando. E espero que sejamos campeões com essa bola – disse o meia.
À época do lançamento de Jabulani, Kaká foi anunciado como um dos ajudantes no projeto da bola. Mas ao que parece ele não tem sido criticado no elenco por isso.
- A bola não é do Kaká, a bola é da Adidas. Tudo que é novo gera uma impressão diferente. Quem sabe durante a Copa do Mundo as opiniões não mudam. Hoje os jogadores já pensam diferente. Eu acho, por exemplo, que o Michel Bastos não reclamou da bola ao fazer aquele gol – brincou Kaká, lembrando da bomba do lateral contra o Zimbábue.
A bola não é do Kaká. A bola é da Adidas."
Kaká
Além de Julio Cesar e Luis Fabiano, Felipe Melo reforçou o time dos críticos, assim como Robinho. Só que o grupo “antibola” não foi formado apenas com jogadores da seleção brasileira. Os goleiros Iker Casillas, da Espanha, Cláudio Bravo, do Chile, Buffon, da Itália, David James, da Inglaterra, e Fernando Muslera, do Uruguai, também reclamaram, assim como o técnico da Dinamarca, Morten Olsen.

quarta-feira, 5 de maio de 2010

Ceni defende dois, time bate Universitario nos pênaltis e está nas quartas de final Goleiro erra sua cobrança, mas depois se redime. Dagoberto fecha o

O torcedor do São Paulo sofreu por mais de 90 minutos e viu a vaga nas quartas de final da Libertadores ser decidida nos pênaltis contra o Universitario-PER, na noite desta terça-feira, no Morumbi. Mas os tricolores respiraram aliviados ao vencerem a disputa por 3 a 1, após 0 a 0 no tempo normal (no primeiro jogo, no Peru, houve empate sem gols também). Principalmente por Rogério Ceni, que perdeu a sua cobrança, mas defendeu duas. O Tricolor poderia ter evitado tanto sufoco. Afinal, perdeu muitas oportunidades durante o tempo regulamentar. Com a classificação garantida, espera o vencedor de Nacional (URU) x Cruzeiro, que será realizado nesta quarta, em Montevidéu (o time mineiro venceu em BH por 3 a 1).

Depois de roerem as unhas e verem Hernanes, Marcelinho e Dagoberto converterem as cobranças, os torcedores exaltaram Ceni e viram toda a equipe comemorar muito a classificação. E não esqueceram do Corinthians ao gritarem "Mengo", mostrando apoio ao time carioca, rival do Timão nesta quarta, em outra decisão pelas oitavas.

Washington no banco, e muralha peruana

Ricardo Gomes decidiu colocar em campo um time mais veloz, mas sem a referência na área. Com isso, Washington voltou ao banco de reservas, e Fernandinho começou ao lado de Dagoberto. Juan Reynoso, treinador do Universitario, não escondeu de ninguém que tinha o objetivo de não sofrer gols. E colocou sua equipe toda atrás.

O Tricolor até criou oportunidades boas, mas não conseguia concluir com precisão. Com Fernandinho e Dagoberto mais abertos pelas pontas, os laterais pouco apareceram na partida. Marlos era bastante esforçado, mas errava muitos passes. Fernandinho, por sua vez, irritou os companheiros, pois carregava a bola pela ponta esquerda e muitas vezes não passava para os jogadores que estavam na área.

A primeira grande finalização do São Paulo só veio aos 18 minutos, quando Hernanes cobrou escanteio, e Rodrigo Souto cabeceou a bola na trave de Llontop. O time da casa seguia tentando furar o bloqueio, mas o adversário estava em todas as partes do campo.

Aos 30, Marlos ganhou de Revoredo, mas o goleiro rival chegou antes para fazer a defesa. Aos 45, Fernandinho repetiu a jogada pela linha de fundo e tentou o chute a gol, mas a bola bateu na rede pelo lado de fora. Sem gols no primeiro tempo, o time e o técnico Ricardo Gomes deixaram o campo vaiados.

Três atacantes: tudo ou nada

Gomes voltou para o segundo tempo arriscando tudo. Tirou Jorge Wagner e colocou Washington. Com três atacantes, o sonhado gol deveria sair. E, aos sete minutos, quase aconteceu: Hernanes deu um belo passe para Dagoberto, que, aberto pela direita, invadiu a área e passou para Marlos. O meia, sozinho na frente do gol aberto, conseguiu acertar o travessão, para desespero dos torcedores.


São-paulinos fazem a festa após o sufoco
Mais ofensivo, o São Paulo crescia em campo. Criava muitas chances, mas tinha dificuldades na conclusão. Ao mesmo tempo, dava mais espaços para os peruanos, que de vez em quando tentavam se aproximar do gol de Ceni. Aos 12 minutos, mais uma oportunidade desperdiçada: Dagoberto tocou para Washington que jogou de pivô e deixou para Marlos concluir. Mas o meia novamente chutou torto.

O Universitario encontrava espaços pelo lado direito do São Paulo. Aos 17, Espinoza desceu e cruzou, mas a defesa afastou. No rebote, Rabanal chutou muito forte. Aos 22, Washington perdeu uma grande chance ao receber a bola na área, mas não conseguiu dominar. A torcida ficava cada vez mais desesperada com a possibilidade de a vaga ser decidida na disputa de pênaltis.

Pouco depois, Washington se livrou de dois marcadores e tocou rasteiro para Dagoberto, mas o atacante chegou atrasado e a bola passou à frente do gol de Llontop. Chance incrível perdida pelo Tricolor. Aos 33, mais sofrimento: Fernandinho tocou em cima de Llontop, que espalmou. A bola voltou para o camisa 12, e ele tocou para Washington, mas o Coração Valente, de primeira, tocou por cima do gol. Neste momento, a torcida acordou e passou a incentivar o time, na esperança de que os últimos dez minutos fossem mais felizes.

O tempo foi correndo, e nada de o gol sair. Gritos de "raça" surgiram da arquibancada. Rogério Ceni era o único do lado são-paulino do campo. Todos os demais estavam em cima do Universitario, desesperados por um gol salvador. Que não veio. Gomes se preparou para a disputa de pênaltis ao colocar Marcelinho Paraíba, bom cobrador. Fernandinho saiu vaiado. Marcelinho só teve tempo de arriscar um chute de longe. A vaga seria decidida nas cobranças de pênalti.

Ceni perde cobrança, mas se redime e pega dois

Antes mesmo do início das penalidades, alguns tricolores chamavam Gomes de burro, e a pequena torcida do Universitario celebrava bastante. Após as críticas, vieram os gritos de apoio. Os mais de 48 mil torcedores passaram a cantar o hino do Tricolor, enquanto Gomes escolhia os batedores. Ceni trocou a camisa laranja por uma preta.



Rogério Ceni se recuperou para levar o São Paulo às quartas de final da Libertadores

Ramirez abriu a série ao cobrar bem, no lado direito do goleiro são-paulino: 1 a 0 Universitario. O camisa 1, ídolo maior do tricolor, foi o primeiro a bater. Llontop pulou no canto esquerdo e defendeu. Tensão no Morumbi.

Alva foi o segundo a bater para o time peruano, e Ceni se redimiu: defendeu, fazendo a torcida explodir em alegria. Agora era a vez de o camisa 10 empatar as cobranças. Hernanes não decepcionou e colocou a bola na rede: 1 a 1.

Galvan viu Ceni ficar gigante, e não conseguiu passar pelo goleiro: tentou o canto esquerdo, mas o ídolo tricolor também defendeu. Marcelinho Paraíba, que entrou nos minutos finais, anotou o seu no canto esquerdo, ainda acertando a trave, enquanto Llontop caía para o direito: 2 a 1 para o Tricolor.

Labarthe mostrou todo o nervosismo que o Universitario passava ao bater o pênalti para fora. Ceni nem precisou se esforçar. E a torcida, enlouquecida, celebrava: faltava mais um. Dagoberto partiu para a bola e correu para o abraço: era a classificação do São Paulo na rede.