domingo, 7 de novembro de 2010

Com direito a olé, Timão vence São Paulo e segue firme na luta pelo título


Elias e Dentinho marcaram os gols da vitória alvinegra. Derrota complica o Tricolor na briga por uma vaga na Libertadores da América

    Com direito a olé, Timão vence São Paulo e segue firme na luta pelo título

    Elias e Dentinho marcaram os gols da vitória alvinegra. Derrota complica o Tricolor na briga por uma vaga na Libertadores da América

    O “olé” da torcida no final da partida foi o resumo da euforia do Corinthians. Na tarde deste domingo, com uma vitória incontestável por 2 a 0 sobre o São Paulo, no estádio do Morumbi, o Timão segue na cola do líder do Campeonato Brasileiro - o Fluminense venceu o Vasco por 1 a 0. Mas tem mais do que isso a comemorar. Até porque dificultou os planos do rival em relação à vaga na Libertadores e aumentou para 11 o número de jogos sem perder do Tricolor (sete vitórias e quatro empates). Elias e Dentinho foram os heróis.
    Os destaques do clássico deste domingo não são novidade para os corintianos. Nem para os são-paulinos. Autor do primeiro gol do triunfo alvinegro, Elias costuma se dar bem contra o rival do Morumbi. Em sete jogos foram cinco gols. Média impressionante. Já Dentinho, que fez o segundo, jamais perdeu para o Tricolor.
    A vitória levou o Corinthians aos 60 pontos, um a menos que o Flu. Já o São Paulo, com os mesmos 50 de antes, não consegue se aproximar do G-4 e ainda pode perder a oitava colocação para o Atlético-PR, que encara o Flamengo esta noite.
    Na próxima rodada do Campeonato Brasileiro, a de número 35, o São Paulo joga contra o Vasco, domingo, dia 14, às 17h, no estádio de São Januário, no Rio de Janeiro. O Corinthians, por sua vez, tem um confronto direto na briga pelo título. Recebe o Cruzeiro, no estádio do Pacaembu, às 19h30 do sábado, dia 13.

    Quem tem Elias...
    Era uma decisão. Tanto para o Corinthians, que busca o título, quanto para o São Paulo, na briga por uma vaga na Libertadores. E nos primeiros minutos, as duas equipes mostraram bem a “cara” dos seus treinadores. Do lado de Carpegiani, ataque atrás de ataque. Do lado de Tite, cautela defensiva.
    Apesar de a postura tricolor ser mais ofensiva, os donos da casa demoraram a encontrar espaço para finalizar. Quando arriscavam de longe, o goleiro Julio Cesar não tinha com o que se preocupar. Enquanto isso, o Corinthians, que começou com Dentinho na vaga de Iarley, buscava os contra-ataques.
    dentinho elias corinthians gol são pauloJogadores do Corinthians comemoram o gol de Elias (Foto: Marcos Ribolli / Globoesporte.com)
    Ajudado pelo São Paulo, que abusava dos erros de passe, o Timão conseguiu criar alguns contragolpes, mas parou nas defesas de Rogério Ceni, como em chute de Dentinho aos 16 minutos. Aliás, os goleiros roubavam a cena no jogo. Julio Cesar, por sinal, salvou o Corinthians em boa finalização de Lucas, o melhor do Tricolor.
    Os são-paulinos poderiam até achar que, pelo volume, o time estava melhor em campo. Mas o Corinthians, quando encaixa uma jogada, é muito mais perigoso. Na realidade, fatal. Foi assim aos 30 minutos. Jucilei deu ótimo passe em profundidade para Elias chutar cruzado da direita da grande área, sem chances para Ceni.
    O gol marcado pelo volante evitou que os goleiros fossem os únicos protagonistas do primeiro tempo. E mais: mostrou ao Timão que o melhor caminho era mesmo pela direita, nas costas de Diogo, escolhido por Carpegiani para o lugar do titular Richarlyson, suspenso pelo Superior Tribunal de Justiça Desportiva.

    Dentinho se emociona
    Para tentar acabar com a “Avenida Diogo”, o técnico Paulo César Carpegiani mudou o São Paulo no intervalo. Colocou o experiente Jorge Wagner no lugar do garoto. Mudou também na contenção do meio-campo. Sacou Casemiro e escalou Ilsinho, que assumiu a lateral direita e mandou Jean para ser volante. O Timão não mudou.
    Com Jorge Wagner e Ilsinho em campo, o São Paulo passou a aproveitar melhor as jogadas pelas laterais. Uma saída contra a boa marcação dos volantes alvinegros. A mudança promovida por Carpegiani deixou o Tricolor mais rápido também. Melhor para Ricardo Oliveira, que passou a ser mais servido pelos companheiros.
    A pressão tricolor em busca do empate foi grande. Mas o Corinthians, quando tinha a bola, se mostrava perigoso. Faltava apenas melhorar a finalização. Em relação ao primeiro tempo, o jogo melhorou. O torcedor pode ver muito mais chances de gol e uma movimentação intensa de todos os setores das duas equipes.
    Aos poucos, porém, o Corinthians conseguiu esfriar o jogo e conter a pressão. Perdeu, por outro lado, mobilidade no meio-campo após Tite sacar Bruno César para a entrada de Danilo. Mas o São Paulo só não empatou aos 35 minutos porque do outro lado estava Julio Cesar, que fez linda defesa em chute de Jorge Wagner.
    Mas quem conseguiu marcar foi o Timão. Mais eficiente, o time aproveitou o jogo aberto do São Paulo e fez 2 a 0 aos 39 minutos. Alessandro entrou em velocidade pela direita da grande área e cruzou para Dentinho completar: 2 a 0. Em seu segundo jogo após cinco lesões seguidas, o atacante se emocionou com o feito. No final, a Fiel ainda calou os tricolores com um sonoro “olé”.
     

Cruzeiro vence o Vitória por 1 a 0 e segue na luta pelo título do Brasileirão


Time mineiro empata com o Corinthians em 60 pontos, mas perde no saldo de gols. Fluminense, com a vitória sobre o Vasco, continua na liderança isolada

    Após perder em casa para o São Paulo, o Cruzeiro precisava de um grande resultado para se recuperar no Campeonato Brasileiro. E o adversário da hora era o Vitória, em pleno Barradão, com uma ótima presença do torcedor rubro-negro. As dificuldades eram evidentes, mas, mesmo com todo o ambiente desfavorável, o time mineiro conquistou importantes três pontos ao vencer por 1 a 0. O gol foi contra, do zagueiro Jonas, ainda no primeiro tempo. Porém, o árbitro catarinense Paulo Godoy anotou na súmula como sendo do atacante Thiago Ribeiro, que fez o cruzamento.
    O resultado deixou o Cruzeiro na terceira posição. A Raposa chegou aos 60 pontos, empatado com o Corinthians, mas perde no saldo de gols: 21 a 12. Já o Vitória, que tentava se livrar da região da zona de rebaixamento, permaneceu com 38 pontos, na 14ª colocação.
    Thiago ribeiro cruzeiro vitória
    Agora, na próxima rodada, o Cruzeiro enfrentará o Corinthians, em uma partida que tem tudo para ser sensacional, já que se trata de um confronto direto na luta pelo título. O duelo está marcado para o sábado, às 19h30m, no Pacaembu. O Vitória terá mais uma chance para se recuperar, também em um jogo dramático, na luta para fugir das últimas posições, contra o Guarani, domingo, às 17h, no Brinco de Ouro, em Campinas.
    Raposa na frente
    A torcida do Vitória lotou o Barradão. Nem mesmo o forte calor foi capaz de diminuir a empolgação dos baianos, que cantavam sem parar. A pequena torcida do Cruzeiro presente no estádio era mais discreta e apenas se manifestava quando havia um lance de perigo em favor da Raposa.
    Com três zagueiros, o Cruzeiro reforçou a marcação no setor defensivo e preencheu os espaços deixados pelo meio-campo em jogos anteriores. O Vitória, por sua vez, tinha dificuldades de chegar ao ataque, devido à boa postura da marcação celeste. Da mesma forma, o Cruzeiro tinha muitas dificuldades na criação das jogadas. Com Montillo mais adiantado ao lado de Thiago Ribeiro, e com Gilberto pouco inspirado, o time de Cuca chegava pouco ao gol de Viáfara.
    Mas, mesmo não jogando uma partida excepcional, o Cruzeiro chegou ao gol, aos 35 minutos. Thiago Ribeiro recebeu uma bola rápida pela direita e cruzou forte para Diego Renan, que estava dentro da área, como um verdadeiro atacante. No meio do caminho, o zagueiro Jonas tentou cortar e mandou para o fundo das próprias redes, surpreendendo o goleiro Viáfara. Festa na pequena parte azul do Barradão.
    Os rubro-negros sentiram a pressão e se descontrolaram um pouco em campo. O Cruzeiro mostrou mais presença no ataque, mas não conseguiu transformar a superioridade em mais gols.
    Pressão rubro-negra
    O técnico Antônio Lopes resolveu mudar todo o ataque do Vitória de uma só vez. O comandante rubro-negro sacou Kleber Pereira e Adailton e colocou Schwenck e Henrique, respectivamente. Já Cuca tirou Rômulo, que já estava amarelado, e pôs Jonathan.
    Com as alterações, o Vitória cresceu de produção e foi para cima do Cruzeiro. O time baiano, com muito mais presença no ataque, assustou o goleiro Fábio em várias oportunidades. O time mineiro ficou acuado em sua defesa, sofrendo grande pressão, principalmente por causa do apoio que vinha da arquibancada.
    A arbitragem da partida desagradava o torcedor baiano. A cada falta marcada contra o Vitória, o Barradão ia à loucura. O ápice veio quando o Vitória armava um perigoso contra-ataque, e a bola bateu no calcanhar do árbitro e sobrou para a defesa cruzeirense. Com o passar do tempo, o time mineiro foi ganhando espaço para contra-atacar, já que o Vitória se mandou todo em busca do empate.
    O lance mais perigoso contra o gol de Fábio foi aos 21 minutos, depois de um autêntico bombardeio, Uelliton cabeceou no travessão e quase empatou partida. Mas o Cruzeiro, com muita raça e vontade, conquistou um grande resultado, que o devolve à luta pelo título brasileiro.

segunda-feira, 1 de novembro de 2010

Dilma diz que será ‘presidenta’ de todos e que baterá à porta de Lula



A presidente eleita do Brasil, Dilma Rousseff, durante discurso neste domingo (Reuters)
Dilma afirmou que terá mão estendida para a oposição
Dilma Rousseff fez na noite de domingo seu primeiro pronunciamento como presidente eleita do Brasil, pouco após ter vencido o segundo turno das eleições com 56% dos votos válidos, contra 44% do candidato do PSDB, José Serra.
Acompanhada pelo vice-presidente eleito, Michel Temer, além de membros do PT, PMDB e outros partidos da base de apoio à sua candidatura, Dilma ressaltou a importância de ser a primeira mulher eleita para comandar o país e disse que o primeiro compromisso de seu governo é com a igualdade de gêneros.
“Meu primeiro compromisso é com as mulheres brasileiras (...). A igualdade de oportunidades entre homens e mulheres é princípio essencial da democracia”, disse.
“Gostaria muito que pais e mãe pudessem olhar para suas meninas, nos olhos delas e dizer: sim, a mulher pode”.
Lula
Apresentando-se como “presidenta de todos os brasileiros e brasileiras”, Dilma agradeceu ainda apoio do presidente Luiz Inácio Lula da Silva à sua candidatura.
Ex-ministra da Casa Civil e das Minas e Energia, Dilma foi indicada por Lula para ser sua sucessora. O presidente participou ativamente de sua campanha.
Em seu discurso, Dilma afirmou que a tarefa de suceder Lula será “difícil e desafiadora”.
“Mas saberei honrar esse legado”, disse. “Baterei muito à sua porta e tenho certeza que a encontrarei sempre aberta”, acrescentou.
No momento em que Dilma agradeceu o presidente, a plateia interrompeu seu discurso sob os gritos de “Lula”.
Políticos aliados a Dilma e ao presidente Lula ajudaram a lotar o auditório de um hotel em Brasília, onde por quase duas horas aguardaram a chegada da eleita.
Membro de um governo que chegou a ser acusado de interferir na liberdade de imprensa, Dilma afirmou que, em seu mandato, zelará “pela mais ampla liberdade de imprensa” e “liberdade religiosa e de culto”.
“Prefiro o barulho da imprensa livre ao silêncio das ditaduras”, acrescentou em seguida.
Miséria
A presidente eleita ainda afirmou que seu compromisso fundamental “é a erradicação da miséria”.
“A erradicação da miséria nos próximos anos é uma meta que assumo e para a qual peço humildemente o apoio de todos”.
A candidata ainda se comprometeu com a estabilidade econômica e fez um aceno para a oposição.
“Estendo minha mão a eles, de minha parte não haverá discriminação, privilégios ou compadrio”.
Aliados
Dilma chegou ao auditório acompanhada de um grupo de aliados mais próximo, dentre eles o ex-ministro da Fazenda, Antônio Palocci, e seu antecessor na Casa Civil, José Dirceu.
A plateia estava lotada de outros integrantes do governo atual, como o ministro do Planejamento, Paulo Bernardo, o chanceler Celso Amorim e o presidente do Banco Central, Henrique Meirelles.
Dilma atrasou seu discurso em mais de uma hora, na expectativa de um telefonema do candidato derrotado, José Serra.
A primeira tentativa de contato do tucano foi feita depois das 22h, já durante o pronunciamento de Dilma Rousseff, o que impediu que os dois se falassem.
Terminado o discurso, Dilma e diversos aliados seguiram diretamente para o Palácio da Alvorada, residência oficial do presidente.

PSDB vai governar 8 Estados, PSB terá 6 e PT e PMDB, 5 cada



OS GOVERNADORES ELEITOS

Agnelo Queiroz é o governador eleito do Distrito Federal
PSDB - 8 Estados
  • SP - Geraldo Alckmin
  • MG - Antonio Anastasia
  • PR - Beto Richa
  • GO - Marconi Perillo
  • PA - Simão Jatene
  • AL - Teotonio Vilela Filho
  • TO - Siqueira Campos
  • RR - Anchieta Júnior
PSB - 6 Estados
  • PE - Eduardo Campos
  • CE - Cid Gomes
  • ES - Renato Casagrande
  • PB - Ricardo Coutinho
  • PI - Wilson Martins
  • AP - Camilo Capiberibe
PT - 5 Estados
  • BA - Jaques Wagner
  • RS - Tarso Genro
  • DF - Agnelo Queiróz (foto)
  • SE - Marcelo Deda
  • AC - Tião Viana
PMDB - 5 Estados
  • RJ - Sergio Cabral
  • MA - Roseana Sarney
  • MT - Silval Barsosa
  • MS - André Puccinelli
  • RO - Confúcio Moura
DEM - 2 Estados
  • SC - Raimundo Colombo
  • RN - Rosalba Ciarlini
PMN - 1 Estado
  • AM - Omar Aziz
Após a realização do segundo turno em oito Estados e no Distrito Federal, o PSDB sai das eleições como o partido com o maior número de governadores, passando de seis para oito.
Logo atrás aparece o PSB, que aumentou o número de Estados governados de quatro para seis.
O PT, que tinha quatro governadores, ficou com cinco - mesmo número do PMDB, que anteriormente governava nove Estados.
O DEM venceu a eleição em dois Estados, enquanto o PMN ficou com um. Dos 27 governadores, 13 foram reeleitos.
No segundo turno, realizado neste domingo, Agnelo Queiroz (PT) derrotou Weslian Roriz (PSC) no Distrito Federal. O governador eleito ficou com 66%, contra 34% da adversária.
Em Goiás, a vitória foi de Marconi Perillo (PSDB). O tucano obteve 53% dos votos, contra 47% do ex-governador Iris Rezende (PMDB).
No Pará, Simão Jatene (PSDB) é o novo governador: o tucano conquistou 55,74% dos votos, contra 44,26% de Ana Júlia Carepa (PT), que tentava a reeleição.
Em Alagoas, o governador Teotônio Vilela Filho (PSDB) foi reeleito com 52,74% dos votos, contra 47,36% de Ronaldo Lessa (PDT).
Já a Paraíba elegeu Ricardo Coutinho (PSB). Com 100% das urnas finalizadas, Coutinho obteve 53,7% dos votos. Zé Maranhão (PMDB), que tentava a reeleição, ficou com 46,3%.
No Amapá, Camilo Capiberibe (PSB) foi eleito governador com 53,77%, contra 46,23% de Lucas Barreto (PTB).
Em Rondônia, Confúcio Moura (PMDB) venceu a disputa pelo governo do Estado. Ele conquistou 58,68% dos votos, contra 41,32% de João Cahulla (PPS).
O governador do Piauí, Wilson Martins (PSB), foi reeleito com 58,93% dos votos, contra 41,07% de Silvio Mendes (PSDB).
Já Roraima reelegeu o governador Anchieta Júnior (PSDB). O tucano terminou com 50,41% dos votos, enquanto Neudo Campos (PP) ficou com 49,59%.

Serra diz aceitar derrota com 'humildade' e que 'luta continua'



José Serra abraça a filha Verônica
Segundo Serra, oposição consolidou 'campo político' nesta eleição
Candidato derrotado na disputa à Presidência, José Serra (PSDB) disse na noite deste domingo que aceita com "respeito e humildade" a vitória de sua adversária Dilma Rousseff (PT), mas que agora começa "a luta de verdade".
"Hoje os eleitores falaram, e recebemos com respeito e humildade a voz do povo. Quero cumprimentar Dilma Rousseff e desejar que faça bem para o país", afirmou Serra no comitê central da sua campanha, no centro de São Paulo.
"Para os que nos imaginam derrotados, apenas estamos começando a luta de verdade", acrescentou o tucano.
"A luta continua, viva o Brasil", completou Serra, que encerrou seu pronunciamento recitando os últimos versos do Hino Nacional.
Vitórias estaduais
Serra estava acompanhado pelo governador eleito de São Paulo, Geraldo Alckmin, pelo atual governador do Estado, Alberto Goldman, pelo prefeito de São Paulo, Gilberto Kassab, pelo presidente do PSDB, Sérgio Guerra, pelo presidente do DEM, Rodrigo Maia, por Roberto Freire, presidente do PPS, e por outras lideranças dos três partidos.
Em seu discurso, Serra se disse orgulhoso pelos votos recebidos (43,7 milhões, 44% dos votos válidos) e exaltou o desempenho da oposição nas disputas estaduais – o PSDB elegeu oito governadores neste pleito, e o DEM, dois.
O tucano também agradeceu com veemência Geraldo Alckmin, dizendo que o aliado se empenhou mais na campanha presidencial do que na disputa pelo governo do Estado, e afirmou que sua despedida não é um "adeus, mas um até logo".
"Vocês (eleitores) nos deram uma vitória estratégica. Construímos uma fortaleza, consolidamos um campo político", afirmou o tucano, segundo quem a oposição se empenhará na "defesa da democracia e da liberdade no Brasil".

Dilma se junta a outras 17 líderes na lista de mulheres no poder



Cristina Kirchner e Angela Merkel
Cristina Kirchner e Angela Merkel estão entre as mulheres no poder
Ao assumir a Presidência do Brasil, em janeiro, Dilma Rousseff vai entrar para um restrito clube de líderes globais que tem, atualmente, 17 mulheres.
Ainda que cada uma dessas presidentes ou primeiras-ministras tenha chegado ao poder em circunstâncias distintas, especialistas ouvidas pela BBC Brasil traçaram paralelos entre elas. Também comentaram as dificuldades que as mulheres enfrentam no poder pelo mero fato de serem ainda poucas no panorama mundial.
Segundo dados compilados pela entidade americana 50-50 by 2020, que defende a representação igualitária dos gêneros no poder, as 17 mulheres – Dilma ainda não incluída – estão à frente de 16 países do mundo (a Finlândia tem uma presidente e uma primeira-ministra do sexo feminino), de um total de 192 nações representadas na ONU.
"Fora dos países escandinavos, onde cerca de metade dos gabinetes já é formada por mulheres, há relativamente poucas delas em cargos eletivos", diz Wendy Stokes, autora de Women in Contemporary Politics.
Dessas 17 citadas, aliás, uma não foi eleita: Roza Otunbayeva assumiu o comando do Quirguistão após um golpe de Estado que depôs o presidente. Outras não são necessariamente as principais mandantes de seu país - caso da Índia, onde Manmohan Singh ocupa o cargo mais importante, o de primeiro-ministro, e a presidente Pratibha Patil tem um posto cerimonial.
Força militar

MULHERES NO PODER ATUALMENTE

  • Julia Gillard (premiê da Austrália desde 2010)
  • Cristina Kirchner (presidente argentina desde 2007)
  • Sheikh Hasina (premiê de Bangladesh pela 2ª vez, desde 2009)
  • Laura Chinchilla (presidente da Costa Rica desde 2010)
  • Jadranka Kosor (premiê da Croácia desde 2009)
  • Tarja Halonen (presidente da Finlândia desde 2000)
  • Mari Kiviniemi (premiê da Finlândia desde 2010)
  • Angela Merkel (chanceler alemã desde 2005)
  • Johanna Sigurdardottir (premiê da Islândia desde 2009)
  • Pratibha Devisingh Patil (presidente da Índia desde 2007)
  • Mary McAleese (presidente da Irlanda reeleita em 2004)
  • Roza Otunbayeva (presidente interina do Quirguistão desde 2010)
  • Ellen Johnson Sirleaf (presidente da Libéria desde 2006)
  • Dalia Grybauskaitè (presidente da Lituânia desde 2009)
  • Iveta Radicová (premiê da Eslováquia desde 2010)
  • Doris Leuthard (presidente da Suíça desde 2010)
  • Kamla Persad-Bissessar (premiê de Trinidad e Tobago desde 2010)
Segundo Charlotte Bunch, do Center for Women's Global Leadership, da universidade americana Rutgers, "as mulheres ainda vivem o desafio de mostrar que são fortes o suficiente em questões-chave, como o comando militar, em especial em países onde isso é particularmente relevante".
Para Bunch, isso é uma possível explicação para o fato de os Estados Unidos ainda não terem tido uma mulher na Presidência.
Mas são exceções significativas a Alemanha – comandada pela chanceler (primeira-ministra) Angela Merkel, que mandou tropas para a Guerra do Afeganistão – e o Chile, até poucos meses atrás presidido por Michelle Bachelet, que antes fora ministra da Defesa.
"Margaret Thatcher (primeira-ministra britânica entre 1979 e 1990) e Indira Gandhi (primeira-ministra indiana entre 1966 e 1977 e 1980 e 1984) quase tinham que dizer 'sou um homem' (para obter respeito). Hoje, as mulheres começam a serem vistas como portadoras de ideias novas."
Mas Bunch observa que há outra maneira de encarar essa possível noção de fraqueza militar feminina.
Para a estudiosa, o mundo atual espera líderes mulheres que "sejam capazes de mostrar que podem usar a força, mas somente como último recurso". Em geral, diz Bunch, elas têm sido eleitas para "colocar ênfase na paz, para unir (o país) quando tudo desmorona".
Esse foi o caso da liberiana Ellen Johnson Sirleaf, eleita em 2005 para comandar um país devastado após uma ditadura e uma sangrenta guerra civil.
Sirleaf, a primeira presidente mulher eleita na África, restaurou a credibilidade da Libéria perante a comunidade internacional e é citada pelas especialistas ouvidas pela BBC Brasil como um exemplo a ser seguido por Dilma.
"Ela foi decisiva para reconstruir seu país após a guerra", diz Yvonne Galligan, do Center for Advancement for Women in Politics, da Queen's University, em Belfast. "Assim como Bachelet, virou um símbolo de unidade para seu povo."
Estereótipos
Ellen Johson Sirleaf, presidente da Libéria
Liberiana Ellen Sirleaf é símbolo de unidade no pós-guerra
Segundo as analistas, não é um estereótipo afirmar que as mulheres no poder dão atenção a temas diferentes – em geral sociais – em comparação com seus pares masculinos.
Em seu livro, Stokes cita levantamentos feitos no Poder Legislativo americano que indicam que as representantes, independentemente de sua filiação partidária, tendem a apoiar mais agendas liberais.
Na Índia, parlamentares mulheres costumavam apoiar mais fortemente políticas de educação, saúde, higiene e controle de bebidas alcoólicas.
Ao mesmo tempo, elas não escapam de serem julgadas, sob os olhos da opinião pública, por outro estereótipo: o da vaidade.
"Na vida pública, as mulheres não têm como vencer quando o assunto é aparência", opina Galligan. "Elas costumam ser criticadas tanto se cuidam demasiado de sua imagem como se têm uma aparência ruim."
"Em geral, ninguém comenta se um político homem está gastando muito com maquiagem. E, para aparecer em público, eles também usam muita maquiagem", acrescenta.
Patronos políticos
Michelle Bachelet, ex-presidente do Chile
Antes de ser presidente, Bachelet foi ministra da Defesa no Chile
Na lista de poderosas, Dilma estará acompanhada de líderes de países do G20 – as 20 maiores economias do mundo – como Merkel, a presidente argentina, Cristina Kirchner, e a primeira premiê da história da Austrália, Julia Gillard.
Também estão na lista diversas líderes asiáticas, algumas delas, seguindo uma tradição oriental, oriundas de famílias importantes que as alçaram à política.
No Ocidente, essa tradição familiar não é tão forte. Mas, enquanto Cristina ascendeu na política na esteira da carreira de seu marido e antecessor, Néstor Kirchner, Dilma se tornou candidata após a bênção de Luiz Inácio Lula da Silva, que esforçou-se para transferir sua popularidade à ex-ministra.
Galligan, no entanto, relativiza a importância do patronato no caso brasileiro: "Dilma foi promovida por Lula, mas ela construiu sua própria carreira política", diz.
E, independentemente disso, ou de Dilma personificar ou não a mulher brasileira, as analistas veem sua chegada ao poder como mais um fator para despertar a atenção mundial para o Brasil.
"Em geral, é algo visto como progressista", avalia Stokes. "A eleição de uma mulher é tida como um marco positivo de democratização."

Mulher no poder, mulheres nos investimentos: o que as beneficiam?


SÃO PAULO – Na manhã desta segunda-feira (01), os principais veículos de comunicação estampam a notícia de que o Brasil acaba de eleger a primeira presidente mulher de sua história. Com mais de 55% dos votos válidos, Dilma Rousseff assume em primeiro de janeiro o posto mais alto do comando nacional.
Mas será que o fato de uma mulher estar no comando faz diferença? Não é novidade que homens e mulheres possuem características diferentes, como paciência, equilíbrio entre razão e emoção e visão de longo prazo. Tais caracteristícas, bem vindas em uma presidente da República, também são benéficas na hora de investir.
Com sua experiência, a responsável pela qualidade e atendimento da Título Corretora, Miriam Macari, afirma que as mulheres são capazes de enxergar as coisas de forma mais abrangente. "Com essa capacidade de olhar para o todo, a mulher consegue entender melhor os eventos do mercado e tirar proveito deles”.
Longo prazo
Ainda segundo Miriam, outro comportamento que ajuda as mulheres nos investimentos – e que deve também colaborar com a nova presidente – é a visão de longo prazo. “O público feminino tende a pensar mais no longo prazo, e toma decisões pensando não só nos benefícios imediatos, ao contrário dos homens”, explica.
Entre os objetivos das mulheres, segundo a profissional, estão a vontade de aumentar o patrimônio e a riqueza ao longo do tempo, além de ter uma aposentadoria tranquila. E para isso, muitas acabam utilizando estratégias mais arriscadas. “Elas se lançam nos empreendimentos para obter lucros, pois muitas possuem ambições milionárias”.
Mulher no poder, mulheres na Bolsa
De acordo com dados da BM&F Bovespa, desde 2002 até 2010, a participação das mulheres nos investimentos em ação cresceu de 15 mil para 136 mil.
E, ao contrário do que se imagina, elas não preferem papéis relacionados ao consumo feminino, como marca de cosméticos ou loja de roupas. “Nisso elas se equiparam aos homens e variam suas aplicações em diferentes segmentos”, finaliza.

Dilma deve manter linhas macroeconômicas, mas sofrer com reformas


SÃO PAULO – Dada como certeza no início da campanha, mas abalada pela reta final do primeiro turno, a vitória de Dilma Rousseff nas eleições presidenciais traz a expectativa de manutenção das políticas de distribuição de renda e de crescimento econômico, mas dúvidas quanto à sustentação dos gastos públicos.
Repartida em muitas propostas isoladas, a ideia transmitida pela candidatura de Dilma Rousseff ao Planalto foi a de manter as linhas do governo Lula, como a manutenção do tripé metas de inflação, câmbio flutuante e equilíbrio fiscal, associada à busca por políticas de redistribuição de renda, investimentos em infraestrutura e o fortalecimento de estatais e grupos empresariais privados.
Por mais méritos pessoais que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva tenha, muito do que há de “bendito” no legado para o próximo governo resulta de um processo de reconstrução institucional e econômica, iniciado ainda na década de 1990, em que PT e PSDB tiveram papéis preponderantes.
Fragmentação
Entretanto, a base de apoio político ao Governo deverá ser formada principalmente pelo próprio PT – que possuirá a maior bancada na nova Câmara dos Deputados - e PMDB, conhecido por seu grande apetite por cargos públicos.
PCdoB, PR, PDT, PRB, PSC, PSB, PTC e PTN completam a provável base de apoio ao governo Dilma, que deverá angariar cerca de 73% das cadeiras na Câmara e 75% no Senado.
Com ampla maioria no parlamento e a força da vitória presidencial, seria possível projetar a concretização de reformas importantes, como a tributária, bem como promover um ajuste fiscal no início do mandato, para agradar aos mercados – medida que foi negada de modo veemente durante a campanha.
Contudo, mesmo que recebam prioridade na agenda do próximo governo, os projetos podem esbarrar no controverso resultado das eleições para o Congresso, que fortaleceu a posição de alguns partidos menores, bem como na sólida posição dos partidos de oposição no comando de bancadas estaduais.
Acaba a eleição, uma nova disputa
Passada a definição nas urnas, o grupo político que apoia Dilma Rousseff travará dura disputa interna sobre a distribuição dos cargos importantes, como o controle de estatais e de ministérios.
Neste contexto, as principais variáveis serão o poder de barganha do PMDB – enfraquecido da Câmara, mas fortalecido no Senado – e do grupo petista que capitaneou a campanha de Dilma, formado por políticos como Antônio Palocci e José Eduardo Cardozo.
Trio de ferro
Amplamente identificado com a promoção de políticas macroeconômicas “pró-mercado”, o ex-ministro da Fazenda Palocci terá dificuldades para impôr seus nomes junto ao primeiro escalão, em função das acusações de envolvimento no escândalo do “Mensalão” e de abuso de poder.
Certamente, a manutenção de figuras-chave do governo Lula também será debatida, como Henrique Meirelles e Luciano Coutinho, presidentes do Banco Central e do BNDES (Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social), respectivamente. Nem mesmo a manutenção de Guido Manteda na Fazenda pode ser descartada.
Ainda assim, “o mercado parece ter convergido para a visão de que o gabinete econômico será o de melhor cenário, composto por Palocci, Coutinho e Meirelles”, afirmou o analista Emy Shayo Cherman, em relatório do banco de investimentos JPMorgan.
Em resumo, as expectativas são de baixa probabilidade de reformas – tributária, previdenciária ou trabalhista -, associada à manutenção das linhas macroeconômicas adotadas pelo governo Lula. Surpresas positivas podem decorrer de um limitado corte de gastos públicos, foco em investimentos e redução na relação entre dívida líquida e PIB (Produto Interno Bruto).