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segunda-feira, 3 de janeiro de 2011
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segunda-feira, 1 de novembro de 2010
Dilma diz que será ‘presidenta’ de todos e que baterá à porta de Lula
Dilma afirmou que terá mão estendida para a oposição
Dilma Rousseff fez na noite de domingo seu primeiro pronunciamento como presidente eleita do Brasil, pouco após ter vencido o segundo turno das eleições com 56% dos votos válidos, contra 44% do candidato do PSDB, José Serra.
Acompanhada pelo vice-presidente eleito, Michel Temer, além de membros do PT, PMDB e outros partidos da base de apoio à sua candidatura, Dilma ressaltou a importância de ser a primeira mulher eleita para comandar o país e disse que o primeiro compromisso de seu governo é com a igualdade de gêneros.
“Meu primeiro compromisso é com as mulheres brasileiras (...). A igualdade de oportunidades entre homens e mulheres é princípio essencial da democracia”, disse.
“Gostaria muito que pais e mãe pudessem olhar para suas meninas, nos olhos delas e dizer: sim, a mulher pode”.
Lula
Apresentando-se como “presidenta de todos os brasileiros e brasileiras”, Dilma agradeceu ainda apoio do presidente Luiz Inácio Lula da Silva à sua candidatura.
Ex-ministra da Casa Civil e das Minas e Energia, Dilma foi indicada por Lula para ser sua sucessora. O presidente participou ativamente de sua campanha.
Em seu discurso, Dilma afirmou que a tarefa de suceder Lula será “difícil e desafiadora”.
“Mas saberei honrar esse legado”, disse. “Baterei muito à sua porta e tenho certeza que a encontrarei sempre aberta”, acrescentou.
No momento em que Dilma agradeceu o presidente, a plateia interrompeu seu discurso sob os gritos de “Lula”.
Políticos aliados a Dilma e ao presidente Lula ajudaram a lotar o auditório de um hotel em Brasília, onde por quase duas horas aguardaram a chegada da eleita.
Membro de um governo que chegou a ser acusado de interferir na liberdade de imprensa, Dilma afirmou que, em seu mandato, zelará “pela mais ampla liberdade de imprensa” e “liberdade religiosa e de culto”.
“Prefiro o barulho da imprensa livre ao silêncio das ditaduras”, acrescentou em seguida.
Miséria
A presidente eleita ainda afirmou que seu compromisso fundamental “é a erradicação da miséria”.
“A erradicação da miséria nos próximos anos é uma meta que assumo e para a qual peço humildemente o apoio de todos”.
A candidata ainda se comprometeu com a estabilidade econômica e fez um aceno para a oposição.
“Estendo minha mão a eles, de minha parte não haverá discriminação, privilégios ou compadrio”.
Aliados
Dilma chegou ao auditório acompanhada de um grupo de aliados mais próximo, dentre eles o ex-ministro da Fazenda, Antônio Palocci, e seu antecessor na Casa Civil, José Dirceu.
A plateia estava lotada de outros integrantes do governo atual, como o ministro do Planejamento, Paulo Bernardo, o chanceler Celso Amorim e o presidente do Banco Central, Henrique Meirelles.
Dilma atrasou seu discurso em mais de uma hora, na expectativa de um telefonema do candidato derrotado, José Serra.
A primeira tentativa de contato do tucano foi feita depois das 22h, já durante o pronunciamento de Dilma Rousseff, o que impediu que os dois se falassem.
Terminado o discurso, Dilma e diversos aliados seguiram diretamente para o Palácio da Alvorada, residência oficial do presidente.
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Dilma se junta a outras 17 líderes na lista de mulheres no poder
Cristina Kirchner e Angela Merkel estão entre as mulheres no poder
Ao assumir a Presidência do Brasil, em janeiro, Dilma Rousseff vai entrar para um restrito clube de líderes globais que tem, atualmente, 17 mulheres.
Ainda que cada uma dessas presidentes ou primeiras-ministras tenha chegado ao poder em circunstâncias distintas, especialistas ouvidas pela BBC Brasil traçaram paralelos entre elas. Também comentaram as dificuldades que as mulheres enfrentam no poder pelo mero fato de serem ainda poucas no panorama mundial.
Segundo dados compilados pela entidade americana 50-50 by 2020, que defende a representação igualitária dos gêneros no poder, as 17 mulheres – Dilma ainda não incluída – estão à frente de 16 países do mundo (a Finlândia tem uma presidente e uma primeira-ministra do sexo feminino), de um total de 192 nações representadas na ONU.
"Fora dos países escandinavos, onde cerca de metade dos gabinetes já é formada por mulheres, há relativamente poucas delas em cargos eletivos", diz Wendy Stokes, autora de Women in Contemporary Politics.
Dessas 17 citadas, aliás, uma não foi eleita: Roza Otunbayeva assumiu o comando do Quirguistão após um golpe de Estado que depôs o presidente. Outras não são necessariamente as principais mandantes de seu país - caso da Índia, onde Manmohan Singh ocupa o cargo mais importante, o de primeiro-ministro, e a presidente Pratibha Patil tem um posto cerimonial.
Força militar
MULHERES NO PODER ATUALMENTE
- Julia Gillard (premiê da Austrália desde 2010)
- Cristina Kirchner (presidente argentina desde 2007)
- Sheikh Hasina (premiê de Bangladesh pela 2ª vez, desde 2009)
- Laura Chinchilla (presidente da Costa Rica desde 2010)
- Jadranka Kosor (premiê da Croácia desde 2009)
- Tarja Halonen (presidente da Finlândia desde 2000)
- Mari Kiviniemi (premiê da Finlândia desde 2010)
- Angela Merkel (chanceler alemã desde 2005)
- Johanna Sigurdardottir (premiê da Islândia desde 2009)
- Pratibha Devisingh Patil (presidente da Índia desde 2007)
- Mary McAleese (presidente da Irlanda reeleita em 2004)
- Roza Otunbayeva (presidente interina do Quirguistão desde 2010)
- Ellen Johnson Sirleaf (presidente da Libéria desde 2006)
- Dalia Grybauskaitè (presidente da Lituânia desde 2009)
- Iveta Radicová (premiê da Eslováquia desde 2010)
- Doris Leuthard (presidente da Suíça desde 2010)
- Kamla Persad-Bissessar (premiê de Trinidad e Tobago desde 2010)
Segundo Charlotte Bunch, do Center for Women's Global Leadership, da universidade americana Rutgers, "as mulheres ainda vivem o desafio de mostrar que são fortes o suficiente em questões-chave, como o comando militar, em especial em países onde isso é particularmente relevante".
Para Bunch, isso é uma possível explicação para o fato de os Estados Unidos ainda não terem tido uma mulher na Presidência.
Mas são exceções significativas a Alemanha – comandada pela chanceler (primeira-ministra) Angela Merkel, que mandou tropas para a Guerra do Afeganistão – e o Chile, até poucos meses atrás presidido por Michelle Bachelet, que antes fora ministra da Defesa.
"Margaret Thatcher (primeira-ministra britânica entre 1979 e 1990) e Indira Gandhi (primeira-ministra indiana entre 1966 e 1977 e 1980 e 1984) quase tinham que dizer 'sou um homem' (para obter respeito). Hoje, as mulheres começam a serem vistas como portadoras de ideias novas."
Mas Bunch observa que há outra maneira de encarar essa possível noção de fraqueza militar feminina.
Para a estudiosa, o mundo atual espera líderes mulheres que "sejam capazes de mostrar que podem usar a força, mas somente como último recurso". Em geral, diz Bunch, elas têm sido eleitas para "colocar ênfase na paz, para unir (o país) quando tudo desmorona".
Esse foi o caso da liberiana Ellen Johnson Sirleaf, eleita em 2005 para comandar um país devastado após uma ditadura e uma sangrenta guerra civil.
Sirleaf, a primeira presidente mulher eleita na África, restaurou a credibilidade da Libéria perante a comunidade internacional e é citada pelas especialistas ouvidas pela BBC Brasil como um exemplo a ser seguido por Dilma.
"Ela foi decisiva para reconstruir seu país após a guerra", diz Yvonne Galligan, do Center for Advancement for Women in Politics, da Queen's University, em Belfast. "Assim como Bachelet, virou um símbolo de unidade para seu povo."
Estereótipos
Liberiana Ellen Sirleaf é símbolo de unidade no pós-guerra
Segundo as analistas, não é um estereótipo afirmar que as mulheres no poder dão atenção a temas diferentes – em geral sociais – em comparação com seus pares masculinos.
Em seu livro, Stokes cita levantamentos feitos no Poder Legislativo americano que indicam que as representantes, independentemente de sua filiação partidária, tendem a apoiar mais agendas liberais.
Na Índia, parlamentares mulheres costumavam apoiar mais fortemente políticas de educação, saúde, higiene e controle de bebidas alcoólicas.
Ao mesmo tempo, elas não escapam de serem julgadas, sob os olhos da opinião pública, por outro estereótipo: o da vaidade.
"Na vida pública, as mulheres não têm como vencer quando o assunto é aparência", opina Galligan. "Elas costumam ser criticadas tanto se cuidam demasiado de sua imagem como se têm uma aparência ruim."
"Em geral, ninguém comenta se um político homem está gastando muito com maquiagem. E, para aparecer em público, eles também usam muita maquiagem", acrescenta.
Patronos políticos
Antes de ser presidente, Bachelet foi ministra da Defesa no Chile
Na lista de poderosas, Dilma estará acompanhada de líderes de países do G20 – as 20 maiores economias do mundo – como Merkel, a presidente argentina, Cristina Kirchner, e a primeira premiê da história da Austrália, Julia Gillard.
Também estão na lista diversas líderes asiáticas, algumas delas, seguindo uma tradição oriental, oriundas de famílias importantes que as alçaram à política.
No Ocidente, essa tradição familiar não é tão forte. Mas, enquanto Cristina ascendeu na política na esteira da carreira de seu marido e antecessor, Néstor Kirchner, Dilma se tornou candidata após a bênção de Luiz Inácio Lula da Silva, que esforçou-se para transferir sua popularidade à ex-ministra.
Galligan, no entanto, relativiza a importância do patronato no caso brasileiro: "Dilma foi promovida por Lula, mas ela construiu sua própria carreira política", diz.
E, independentemente disso, ou de Dilma personificar ou não a mulher brasileira, as analistas veem sua chegada ao poder como mais um fator para despertar a atenção mundial para o Brasil.
"Em geral, é algo visto como progressista", avalia Stokes. "A eleição de uma mulher é tida como um marco positivo de democratização."
terça-feira, 19 de outubro de 2010
Dilma tem 12 pontos de vantagem sobre Serra, aponta Vox Populi
REUTERS
De acordo com o Vox Populi, 4 por cento dos entrevistados se declararam indecisos.
Na pesquisa anterior do instituto, realizada nos dias 10 e 11 de outubro, Dilma tinha 48 por cento, contra 40 por cento de Serra. Os indecisos somavam 6 por cento.
Se considerados somente os votos válidos --que excluem os brancos, nulos e indecisos-- Dilma tem 57 por cento, contra 43 por cento de Serra. Na sondagem anterior, a petista aparecia com 54 por cento dos válidos, ante 46 por cento do tucano.
O levantamento do Vox Populi analisou ainda o voto religioso. Conforme o instituto, Serra tem 44 por cento das intenções de voto entre o eleitorado evangélico, ante 42 por cento de Dilma. Entre os entrevistados que se declararam ateus, Dilma tem 49 por cento, ante 36 por cento de Serra.
Dilma também aparece à frente de Serra entre os eleitores que se disseram católicos praticantes (54 contra 37 por cento) e não praticantes (55 contra 37 por cento).
O voto religioso foi apontado como um dos fatores que impediram a vitória de Dilma já no primeiro turno da eleição presidencial em 3 de outubro.
O motivo seria uma rejeição dessa classe do eleitorado à suposta posição de Dilma favorável à descriminalização do aborto. Pressionada por setores religiosos, Dilma assinou uma carta na semana passada se comprometendo a não alterar a legislação existente sobre o aborto.
Segundo o Vox Populi, 89 por cento dos entrevistados declararam estarem decididos sobre em quem votarão no dia 31 de outubro, enquanto 9 por cento afirmaram que ainda podem trocar de candidato. A consolidação é maior entre os eleitores de Dilma, 93 por cento, enquanto entre os de Serra 89 por cento estão decididos.
A pesquisa, realizada entre os dias 15 e 17 de outubro, tem margem de erro de 1,8 ponto percentual para mais ou para menos. O instituto ouviu 3 mil pessoas para o levantamento.
segunda-feira, 4 de outubro de 2010
TSE totaliza apuração de votos; Dilma vence em 4 regiões e Serra, em uma
Brasília - Com 100% das urnas apuradas, a candidata Dilma Rousseff (PT), que obteve 46,91% dos votos válidos, vai ao segundo turno com José Serra (PSDB), com 32,61%. Marina Silva (PV) conseguiu 19,33% e Plínio Sampaio (P-SOL) teve 0,87%.
Por uma diferença de quase 6,3 milhões de votos, a petista não conseguiu se eleger no primeiro turno. Dilma venceu em quatro regiões, mas perdeu para Serra no Sul. No Nordeste e no Norte, Dilma ganhou com folga, mas liderou com vantagem menor no Sudeste e no Centro-Oeste.
No Sul, Serra ganhou, com 43,01%. Dilma teve 42,10%; e Marina, 13,64%. No Centro-Oeste, Dilma venceu por pequena vantagem, com 38,89%, contra 37,97% de Serra e 20,94% de Marina.
No Nordeste, Dilma teve o melhor desempenho com 61,63%. Serra obteve 21,48%; e Marina, 16,14%. No Norte, Dilma ficou com 49,23%; Serra, 31,95%; e Marina, 17,88%.
No Sudeste, região com o maior número de eleitores, Dilma obteve 40,88%, contra 34,58% de Serra e 23,18% de Marina.
Dilma venceu em 18 estados e Serra liderou em oito: Acre, Mato Grosso, Mato Grosso do Sul, Paraná, Rondônia, Roraima, Santa Catarina e São Paulo. Marina ganhou no Distrito Federal, onde conseguiu 41,96% dos votos válidos, e ficou em segundo lugar em cinco estados - Acre, Amapá, Amazonas, Pernambuco e Rio de Janeiro. No Ceará, ela empatou com Serra (16,36%).
Entre os votos no exterior, Dilma perdeu por cerca de quatro pontos percentuais. Ela obteve 36,81%, contra 40,25% de Serra e 20,43% de Marina. Entre os eleitores que votaram em trânsito, Dilma venceu com 39,15%. Serra obteve 31,18% e Marina ficou com 28,11%.
Os votos em branco somaram 3.479.320 (3,13%); e os nulos, 6.124.083 (5,51%). O Brasil tem 135,804 milhões de eleitores. A abstenção foi de 18,12%.
domingo, 3 de outubro de 2010
Apostando em Dilma, 'Economist' questiona força de futuro governo
Revista diz que maior empecilho de Dilma deve vir de dentro do próprio PT
A revista britânica The Economist traz na edição desta semana uma reportagem sobre as eleições brasileiras na qual dá como praticamente certa a vitória da candidata do PT, Dilma Roussef, mas questiona o alcance do poder que ela terá num futuro governo.
Fazendo um panorama das principais disputas em jogo na votação de 3 de outubro, a TheEconomist afirma que, graças ao apoio do presidente Lula e sua incrível popularidade, Dilma deve vencer seu rival José Serra (PSDB), apesar do escândalo envolvendo a quebra do sigilo fiscal da filha do candidato tucano.
A revista aposta que o governo Dilma deve ser o mais forte desde o fim da ditadura, uma vez que o PT pode obter até 390 deputados na Câmara, se contar os aliados, e deve manter sua média de pouco menos de 60% dos senadores necessários para aprovar emendas na Constituição.
No entanto, esse cenário pode não se refletir em poder concreto para a nova presidente, segundo a The Economist. O maior obstáculo de Dilma deve vir de dentro do próprio partido, uma vez que ela só se filiou ao PT apenas em 2001 e não cresceu dentro do partido: sua candidatura foi imposta por Lula.
"Os principais parceiros da coalizão que apoiam o PT já estão falando de ministérios e vantagens que esperam obter", afirma a revista. "Com mais assentos e uma líder mais fraca que seu antecessor, o próximo governo pode parecer mais forte no papel do que na prática."
É lamentável Dilma depender de apadrinhamento de Lula, diz 'Economist'
Revista acredita que Dilma não tem o magnetismo de Lula
Em editorial na sua edição desta semana, a Economist diz lamentar a dependência da candidata presidencial do PT, Dilma Rousseff, do presidente Luiz Inácio Lula da Silva.
“O fato de Dilma depender tanto do apadrinhamento de Lula é lamentável, pois o Brasil precisa de um líder forte e independente”, diz a principal revista de economia e política da Grã-Bretanha.
Segundo a Economist, caso seja eleita, Rousseff precisará sair da sombra de Lula "para conseguir a autoridade necessária" ao cargo.
A revista diz ainda que Lula "precisa deixá-la se afastar", uma atitude que seria “seu último presente a país”.
Intitulado A Passagem, o texto afirma que Lula deu ao Brasil continuidade e estabilidade e que agora ele precisa "dar independência" a sua sucessora.
Três graves problemas
Se eleita, Dilma terá de lidar com ao menos três graves problemas, segundo a Economist, e a corrupção seria o primeiro. A revista afirma que o PT tem uma "tendência de inchar os órgãos federais com indicados políticos".
A segunda preocupação seria com o papel do Estado na economia – que cresceu no segundo mandato de Lula. O terceiro “teste” é a política externa, por causa da aproximação do presidente com "autocratas" como os presidente da Venezuela, Hugo Chávez, e do Irã, Mahmoud Ahmadinejad.
Para a revista, ainda não está claro se Dilma tem “a força e vontade para lidar com esses problemas”.
Em outra matéria, a Economist detalha o legado do governo Lula e explica como Dilma se beneficiou dele, apesar de especialistas acreditarem, há um ano, que era impossível transferir sua popularidade.
No entanto, a matéria afirma que a presidenciável não tem o "magnetismo" de Lula nem sua "habilidade de negociar". Por fim, ela especula sobre como seria o novo governo, apostando em nomes como Antonio Palocci e José Dirceu para integrar seu gabinete.
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Dilma vota em escola de ensino médio em Porto Alegre
Repórter da Agência Brasi
Porto Alegre - A candidata do PT à Presidência da República, Dilma Rousseff, acaba de votar na Escola Estadual de Ensino Médio Santos Dumond, na zona sul de Porto Alegre. Ela chegou acompanhada de militantes e lideranças políticas l
Dilma votou ao lado do candidato do PT ao governo do Rio Grande do Sul, Tarso Genro.
Depois do voto Dilma saiu, sem falar com a imprensa, direto para o aeroporto onde embarca para Brasília. A candidata acompanhará a apuração dos votos na capital fede
Edição: Talita Cavalcan
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segunda-feira, 13 de setembro de 2010
Dilma: Serra quer virar a mesa da democracia e ganhar eleição no tapetão
Os adversários querem ganhar a eleição no tapetão, advertiu a candidata Dilma Rousseff no debate Rede TV/Folha de São Paulo neste domingo (12).
Segundo ela, as acusações de envolvimento de sua campanha com o vazamento de dados fiscais sigilosos de pessoas ligadas ao PSDB são tentativas de “virar a mesa da democracia”.
“Meu adversário quer ganhar a campanha no tapetão, porque não consegue convencer a população. Querem virar a mesa da democracia”, disse a candidata, no direito de resposta concedido contra Serra. “Não passarei para a História como a caluniadora da campanha. Ele que passará.”
Em resposta a jornalista Renata Lo Prete, Dilma classificou de “manobra eleitoreira” a acusação de tráfico de influência contra o filho da chefe da Casa Civil, ministra Erenice Guerra. Dilma defendeu a apuração rigorosa de todas as denúncias e avaliar se houve tráfico de influência. Segundo ela, se for confirmada a ilegalidade, o governo deve tomar as providências mais drásticas.
“Mas eu quero deixar claro que eu não concordo e não vou aceitar que se julgue a minha pessoa baseado no que aconteceu com o filho de uma ex-assessora minha. Isso cheira a manobra eleitoreira sistematicamente feita contra mim e minha campanha”, disse, taxativa, Dilma Rousseff.
"Dono da verdade"
Numa resposta ao adversário do PSDB, a candidata alertou para a tentativa do tucano de desqualificá-la. "Não subestime ninguém candidato, o senhor não é dono da verdade, o senhor não é melhor que ninguém”, afirmou Dilma.
"Eu acho que as pessoas não podem ser pretensiosas e achar que elas são donas da verdade. Eu não sou dona da verdade e espero que as pessoas que me cercam também não sejam", disse a candidata.
Serra questionou novamente a política de paz do governo Lula em relação ao conflito do Oriente Médio. A candidata defendeu o diálogo, em vez do conflito com o Irã. Citando as guerras dos Estados Unidos contra o Iraque e o Afeganistão, Dilma afirmou ser favorável à prudência nas negociações que envolvem o enriquecimento de urânio.
“Não se trata de resolver com o fígado. Trata-se de tentar construir a paz. Certos tipos de guerra não conduzem à pacificação e na melhoria da vida dos povos daquela região”, alertou Dilma. “O que nós exigimos do Irã é que nos propomos a dar: enriquecimento (de urânio) para fins pacíficos.”
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Em debate quente, Dilma é alvo e Serra eleva ataque ao governo
BRASÍLIA (Reuters) - Alguns decibéis subiram no debate de domingo entre os candidatos ao Palácio do Planalto. O confronto mais temperado desta campanha foi protagonziado pelos dois principais antagonistas da sucessão: Dilma Rousseff (PT) e José Serra (PSDB).
A 21 dias das eleições, a Rede TV! e a Folha de S.Paulo colocaram na mesma arena quatro presidenciáveis.
Líder disparada nas pesquisas, Dilma foi o alvo preferencial. Serra, o atirador de dardos contra a petista. Ele direcionava, sempre que podia, todas as perguntas à rival, enquanto ela tentava ignorá-lo. Nenhuma das vezes que teve a chance de perguntar Dilma dirigiu-se Serra.
O tema-chave da noite, que moveu as reações ofensivas, foi "corrupção". Casos antigos e novos foram resgatados: aloprados, mensalão, sigilo e a recente acusação de susposto esquema de tráfico de influëncia envolvendo a ministra da Casa Civil, Erenice Guerra.
A petista foi questionada por uma jornalista se colocaria a "mão no fogo" pela atual titular da pasta, seu braço direito quando estava no governo, sucessora quando deixou o Executivo e pessoa de quem se tornou amiga pessoal nos últimos anos.
"Se houve, tem de tomar as providëncias mais drásticas possíveis. No caso da ministra Erenice, foi feita uma acusação e o que se tem hoje é exatamente nada. Agora, eu quero deixar claro aqui: eu não concordo, não vou aceitar que se julgue a minha pessoa baseado no que aconteceu com o filho de uma ex-assessora minha", rebateu a candidata, referindo-se a Israel Guerra, filho de Erenice, apontado como profissional a serviço de lobistas.
Serra foi para cima do "governo que acoberta companheiros e persegue a oposição"; Dilma defendeu investigações "doa a quem doer", citando as operações da Polícia Federal no governo e, mais recentemente, no Amapá.
Ele não perdeu oportunidades de associar a campanha petista à quebra do sigilo fiscal de seus familiares. Dilma acabou ganhando direito de resposta por conta da vinculação. Ecoou um sonoro "o que ele quer é ganhar essa campanha no tapetão". A petista disse ainda que não passaria a eleição como caluniadora, mas ele sim.
Essa afirmação rendeu ao tucano direito de resposta. Serra aproveitou para ironizar a petista por ter o apoio do ex-ministro da Casa Civil e deputado cassado José Dirceu. "Essas questões que envolvem a democracia não se resolvem com braveza", disse. "Agora você vai pedir direito de resposta por isso (dizer que tem apoio de Dirceu)?"
Marina Silva, do PV, e Plínio de Arruda Sampaio, PSOL, não conseguiram romper a polarização, deixando o ringue quase livre para a luta do "nós contra eles".
A ex-ministra do Meio Ambiente, que manteve seu discurso da "terceira via", criticou e elogiou aspectos das duas administrações, Lula e FHC. Pisou duro, no entanto, quando falou da política.
"Avançamos na economia, avançamos no social, mas a política é um retrocesso, é a pré-história da política."
Propostas sobre economia e avaliações sobre seus fundamentos foram marginais, com exceção mais evidente do tucano. "Os juros no meu governo vão cair...de maneira responsável."
"NÃO SUBESTIME, CANDIDATO"
José Serra atacou mais o governo do que de costume e foi questionado por ter usado a imagem do presidente de forma elogiosa em seu programa de TV.
Ele chegou a criticar o "governo Lula" em algumas ocasiões. Iniciou sua intervenção dizendo que a maior "sucesso" da gestão federal foi não ter "atirado o Plano Real pela janela", contrariando histórico da legenda que havia se oposto ao plano econômico. Fez isso assumindo o legado de Fernando Henrique Cardoso, personagem deixado à sombra inúmeras vezes em sua campanha.
"O maior fracasso foi o mensalão, o dossië dos aloprados, as violações da receita ..."
Serra bateu na tecla de que ninguém conhece sua adversária, fazendo constante contraposição à sua notória vida pública. Foi ao atacar a relação do governo Lula com o Irã que ouviu de Dilma Rousseff uma das suas mais duras réplicas.
"Eu também tenho uma trajetória", afirmou a candidata.
Em seguida, aconselhou: "Não subestime ninguém, candidato, o senhor não é dono da verdade, o senhor não é melhor que ninguém."
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