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sábado, 11 de setembro de 2010

Grêmio vence primeira fora e acaba com os 100% do Timão em casa


Corinthians joga boa parte do segundo tempo com um a mais, pressiona, perde pênalti, mas não marca. Tricolor sobe quatro posições e é o décimo

    Num jogo dramático no Pacaembu, o Grêmio mostrou a sua velha garra e provou ser "imortal", como canta a sua torcida, ganhando seu primeiro duelo fora de casa neste Campeonato Brasileiro. Venceu o Corinthians por 1 a 0, mesmo jogando com um jogador a menos desde os 12 minutos do segundo tempo, e, com um golaço de Douglas, acabou com a sequência de vitórias alvinegras em casa. Até então, o Timão havia vencido todos os seus dez compromissos como mandante no torneio nacional. Aliás, a equipe corintiana, que perdeu um pênalti com Iarley no segundo tempo, não era derrotada no Pacaembu desde novembro do ano passado, quando foi batida pelo Náutico. Eram 23 jogos de invencibilidade.
    Grêmio manda no primeiro tempo
    O Grêmio uniu força e criatividade. Enquanto os volantes Adílson e Ferdinando anulavam Bruno César e Elias, os homens de armação do Corinthians, Douglas e Souza tinham espaço para dominar, pensar na melhor alternativa, lançar seus companheiros. Os dois meias gremistas contavam ainda com a ajuda de Gabriel, lateral que caía pelo meio, se revezando com Souza, confundindo a marcação alvinegra, que perdeu Ralf aos 13 minutos. Aos 4, ele foi calçado por Douglas e torceu o tornozelo. Tentou voltar, não aguentou e foi chorando para o banco. Boquita entrou em seu lugar.
    Com seus armadores anulados, o Corinthians dependia das raras subidas de Jucilei. Iarley e Jorge Henrique, isolados na frente, passarem a voltar para buscar o jogo. Então, o Timão embolou, perdeu senso tático e deu a bola para o Grêmio jogar com tranquilidade. Douglas comandava as ações no meio de campo. Aos 28 minutos, ele cobrou escanteio da esquerda. A bola foi rebatida e sobrou para Gabriel emendar de primeira, de pé esquerdo, que não é o seu forte. O tiro, que saiu forte, rasteiro, entraria no canto esquerdo, mas Júlio Cesar se atirou e defendeu.
    gol GrêmioOs jogadores do Grêmio comemoram o gol de Douglas, no Pacaembu (Foto: Ag. Estado)
    O Grêmio rondava a área corintiana com cada vez mais frequência. Aos 34, aconteceu o que parecia inevitável. Douglas recebeu pela esquerda, avançou, colocou a bola entre as pernas do zagueiro corintiano Paulo André e encheu a canhota, acertando o ângulo. Um golaço, que não foi comemorado pelo camisa 10. Campeão paulista e da Copa do Brasil no ano passado, pelo Timão, ele preferiu apenas abraçar os companheiros, sem festejar.
    O Corinthians, acuado, só conseguia chegar em tiros de longe, sempre de Bruno César, que não acertou o alvo. O Grêmio estava mais perto de marcar o segundo do que levar o empate.
    Pressão total  do Timão
    O segundo tempo mudou completamente. O técnico do Corinthians, Adílson Batista, fez uma alteração importante. Tirou o lateral-direito Moacir, que não estava funcionando, e colocou o meia Danilo. O Timão, assim, passava a ter uma presença maior no meio-campo. Bruno César ganhou companhia, a bola passou a ser corintiana. E o jogo também.
    Agora, o Grêmio não avançava. Limitava-se a afastar a bola de sua área em desesperados chutões. Aos 12 minutos, Bruno César arrancou pela esquerda e foi deslocado por Vilson, num golpe de ombro, na área. Pênalti. O zagueiro gremista, que já tinha amarelo, levou o vermelho. O Corinthians estava com a faca e o queijo na mão. Um pênalti para bater, um jogador a mais em campo. Mas todo o corintiano sabe: as coisas para o Timão nunca são fáceis. Iarley executou a cobrança. Tentava acertar o canto direito. O chute saiu fraco. Victor adivinhou e espalmou. Desespero nas arquibancadas do Pacaembu. Em seguida, Elias recebeu de Bruno César e cruzou. Iarley estava na pequena área. Finalizou, mas Rafael Marques, em cima da linha, salvou.

    A pressão corintiana era impressionante - foram 23 finalizações alvinegras contra seis do Tricolor - e o técnico gremista Renato Gaúcho trancou o seu time. A ordem era afastar a bola da área. Chutão sem pudor. À medida que o tempo passava, os corintianos iam ficando cada vez mais nervosos. A bola parecia queimar. Os cruzamentos na área se intensificaram. Já não havia mais jogada trabalha. Era pressão por todos os lados. Mas a pressa é inimiga da perfeição.
    A noite corintiana só não foi pior graças ao Fluminense. O líder do Campeonato Brasileiro e próximo adversário perdeu para o Atlético-GO, por 2 a 1 em Goiânia, e se manteve três pontos à frente. Na quarta-feira, Corinthians e Fluminense se enfrentarão no Rio de Janeiro. Já o Grêmio, com a vitória, escalou quatro posições na tabela e, com 26 pontos, é o décimo colocado.

quinta-feira, 17 de junho de 2010

México vence jogo histórico e deixa a França a um passo da eliminação




Resultado deixa Uruguai e México, que se enfrentam na última rodada, com a possibilidade de empatarem e irem juntos para as oitavas de final da Copa
Em uma partida em que a tensão e a pressão pela vitória formavam a dupla com a qual ambas as equipes precisavam se preocupar - e com a qual somente uma delas soube lidar - o México venceu a França por 2 a 0 - gols de Hernández e de Blanco, este de pênalti - em um jogo ruim e de baixo nível técnico, e que aumentou a crise por que passa a equipe europeia, rachada e com o treinador sem apoio da maioria dos jogadores e da imprensa de seu país. Para os mexicanos, a vitória ainda entra para a história por ser a primeira contra os franceses em sete duelos - os franceses haviam vencido cinco e empatado um nos seis encontros anteriores.

Com o resultado, o México soma quatro pontos e está em segundo lugar no Grupo B, atrás do Uruguai no saldo de gols - dois, contra três dos sul-americanos. França e África do Sul somam um ponto, e se enfrentam na última rodada, com remotas chances de classificação, já que um empate entre mexicanos e uruguaios - que fazem o outro jogo do grupo - põe as duas seleções latino-americanas nas oitavas de final. Vale lembrar que o segundo colocado neste grupo enfrenta o primeiro colocado do Grupo A - provavelmente a Argentina. Os dois jogos acontecem no dia 22 de junho, ambos 11h (16h de Joanesburgo).
O atacante mexicano Hernandez passa pelo goleiro Lloris e faz o primeiro gol do México contra a França
(Foto: Agência Reuters)


Antes da partida, uma cena emocionante: o lateral Evra, capitão da França, emocionou-se com a execução da Marselhesa - o Hino Nacional francês - e chorou. Confira a imagem no vídeo ao lado.
O jogo
Logo aos três minutos, os mexicanos mostraram que se armariam no contra-ataque para surpreender a defesa da França. Aos três minutos, em posição de impedimento, Giovani dos Santos recebeu a bola pela esquerda e acertou a trave de Lloris. Sete minutos depois, Vela recebeu lançamento de Rafa Márquez e chutou forte, mas a bola subiu demais e não ofereceu perigo para a França.
A França mantinha o time no campo de ataque, pressionando o México principalmente com Ribéry, mas o centroavante Anelka tinha de recuar muito para receber a bola, pois ela não chegava à área em condições de finalização. Com a defesa exposta, os franceses tinham que conter as subidas em velocidade dos três atacantes mexicanos e, pressionados, cediam laterais seguidos na defesa.
México começa pressionando nos contra-ataques
Giovani dos Santos (17) é marcado duramente pelo
atacante francês Franck Ribéry, da França (Foto: AP)
Em uma subida ao ataque de Salcido, o lateral passou pela defesa francesa pela esquerda e, de frente para Lloris, chutou de bico, em cima do goleiro francês, que salvou os Bleus de sofrerem o primeiro gol. Aos 29 minutos, Vela sentiu uma lesão na coxa direita e teve que ser substituído por Pablo Barrera, que, em seu primeiro lance, dividiu a bola no alto com Lloris e, por pouco, não fez o primeiro gol do México.
A tensão da partida aumentava na medida em que as defesas prevaleciam sobre os ataques, e as jogadas ofensivas não levavam perigo aos goleiros de ambas as equipes. Com mais posse de bola, os franceses chegavam com mais frequência ao ataque, principalmente pela direita, mas os cruzamentos não achavam os atacantes na área, muito em função do bom posicionamento da defesa mexicana. Na segunda metade do primeiro tempo, a França também acertou a marcação no meio-de-campo, forçando o México ao erro e, por consequência, diminuindo o perigo ao gol francês.
Segundo tempo é tenso, com muitas faltas e cartões

O segundo tempo começou com Gignac no lugar de Anelka no ataque francês, mas o que aumentou foi a tensão das duas equipes em campo. Uma pequena discussão entre Juárez e Malouda e uma entrada forte de Moreno em Ribéry renderam cartões amarelos aos mexicanos. A França conseguiu a primeira chance de gol aos nove minutos, com um chute forte de Malouda de fora da área, para boa defesa de Pérez.
Mostrando-se insatisfeito com a produção ofensiva da sua equipe, o técnico Javier Aguirre, do México, colocou o atacante Hernández no lugar do meia Juárez logo aos dez minutos da etapa final, na tentativa de diminuir o isolamento de Giovani dos Santos e Franco no campo francês. Como o panorama não mudou, Aguirre foi com tudo para o ataque, e pôs o veterano Blanco, de 37 anos, no lugar de Franco.
No lance seguinte, aos 19 minutos, Rafa Márquez fez um belo lançamento do campo de defesa para Hernández - eleito o melhor em campo pela Fifa - que, em posição duvidosa, recebeu livre no ataque, driblou o goleiro Lloris e abriu o placar, fazendo México 1 a 0. O gol forçou o técnico Raymond Domenech a mexer na equipe, tirando o meia Govou e pondo o atacante Valbuena em campo.
O veterano Blanco festeja o segundo gol do México
na vitória sobre a França em Polokwane (Foto: AFP)
Aos 33 minutos, com a França desesperada para empatar o jogo, o México ampliou o placar com o veterano Blanco, de pênalti, após Abidal cometer falta sobre Barrera no bico direito da grande área. Além de garantir a vitória mexicana, o gol põe Blanco como o único jogador mexicano a fazer gols em três Copas do Mundo - já havia marcado em 2002 e em 2006.
Após o segundo gol mexicano, a França pareceu se entregar em campo, não criando praticamente mais nenhum lance de perigo. Os mexicanos, por sua vez, tocavam a bola e esperavam o apito final do árbitro, que aconteceu após os três minutos de acréscimo. O técnico Raymond Domenech, que acompanhou impassível a derrocada de sua equipe, pareceu demonstrar alívio com o fim de mais um capítulo lamentável da história francesa na África do Sul.

quarta-feira, 9 de junho de 2010

Em seis passos, como vencer o Brasil



Derrotar a seleção brasileira que disputará a Copa do Mundo é missão inglória. O último revés da equipe treinada por Dunga aconteceu em outubro do ano passado, contra a Bolívia, com time misto e na altitude de La Paz. Antes disso, a Brasil perdeu no longínquo junho de 2008, no Paraguai. Com Dunga, o Brasil enfim perdeu uma de suas piores características nos últimos anos: a imprevisibilidade. Para muitos, falta brilho no time atual. Mas é impossível não reconhecer que a seleção de hoje é equilibrada e confiável.

Nenhum rival deve esperar que o Brasil faça uma partida desastrosa neste Mundial, como a da vexatória eliminação contra a França, em 2006. Sua consistência defensiva e organização tática fazem dele um time regular e equilibrado. Mas é impossível bater a seleção? É evidente que não. Quem acompanhou de perto os amistosos realizados no Zimbábue e Tanzânia notou os caminhos que podem levar a um triunfo contra os líderes do ranking da Fifa. A seguir, listamos seis atalhos para superar o Brasil. Que os técnicos Kim Jong-hun, da Coreia do Norte, Sven Goran Eriksson, da Costa do Marfim, e Carlos Queiroz, de Portugal, não adotem a receita.

1) Explorar as deficiências de Felipe Melo. O volante pode ser a chave do cofre para quem vai enfrentar o Brasil. Confuso e atabalhoado nas tentativas de desarme, tem errado passes em frequência alarmante. Pior: ocupa uma posição delicada no campo, logo à frente da zaga. Aproveitar uma bobeira dele e roubar a bola nessa faixa do gramado pode colocar um atacante com apenas Lúcio ou Juan no caminho para o gol. Se esse atacante for Drogba ou Cristiano Ronaldo, o risco é enorme. Até as fracas seleções do Zimbábue e Tanzânia se aproveitaram disso e chegaram várias vezes na cara do goleiro. Como bônus para o adversário, o intempestivo Felipe faz faltas duras demais e costuma cair nas provocações dos inimigos. Pode ser expulso de forma boba e colocar tudo a perder.

2) Manter Robinho longe da grande área. O camisa 11 nunca foi um dos artilheiros da seleção, mas agora desandou a fazer gols. Do trio ofensivo que carrega nos ombros a responsabilidade por furar as defesas rivais, é o que chega à Copa mais inspirado – trocou as pedaladas e fintas excessivas por um jogo mais agudo, consciente e objetivo. Pode brilhar na Copa – ainda mais se estiver próximo do gol, onde pode finalizar ou dar assistências preciosas para Luís Fabiano.


Robinho marca contra a Tanzânia: agora ele virou goleador


3) Dispensar os cruzamentos para a área. Perfeitamente entrosados, Lúcio e Juan, que jogam sua segunda Copa seguida lado a lado, rebatem as bolas altas com notável facilidade. Ainda têm a ajuda de Maicon e Gilberto Silva, altos e bons no jogo aéreo – e, em última instância, do goleiro Júlio César, especialista em espalmar os golpes de curta distância. Um adversário que se limita aos chuveirinhos é tudo o que a defesa brasileira quer.

4) Não tentar anular Kaká, mas sim Luís Fabiano. A principal figura do Brasil tem um jogo vertical e objetivo. A dupla com o Fabuloso funciona à perfeição desde os tempos de São Paulo, há quase uma década. O centroavante sabe se apresentar para tabelar e fazer o pivô ou disparar na hora certa para receber as enfiadas de bola do camisa 10. Cercar Luís Fabiano de forma implacável vai forçar Kaká a achar outros parceiros. Assim, o craque acaba se limitando a trocar passes laterais com os volantes, num jogo cadenciado que não combina com seu estilo.

5) Empurrar um atacante para o seu lado esquerdo, direita da defesa do Brasil. Maicon tem vigor de sobra para guardar sua lateral com segurança e ainda atropelar na frente. Se não tiver com quem se preocupar na defesa, se manda para o ataque e passa a ser um legítimo ponta. Portugal, por exemplo, pode colocar Cristiano Ronaldo naquele setor, anulando uma das grandes qualidades do Brasil.

6) Evitar cometer faltas diagonais ao seu gol. O Brasil tem dois cobradores que podem resolver um jogo chutando dali – Michel Bastos pela direita e Daniel Alves pela esquerda. Michel já mostrou que se deu bem com a leveza da bola Jabulani. No Zimbábue, marcou um gol extraordinário; na Tanzânia, disparou um tiro de canhão que deixou o goleiro desesperado.