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domingo, 3 de outubro de 2010

Eleição brasileira é destaque em jornais estrangeiros


A escolha de um novo presidente no Brasil chama a atenção de publicações internacionais neste domingo (03). O jornal francês "Le Monde" dá ênfase ao apoio do presidente Lula à candidata Dilma Rousseff e cita que a ex-ministra pode chegar ao principal cargo em uma grande democracia sem ter sido eleita anteriormente para outro cargo eletivo. O "Le Monde" cita também as mudanças no visual que, de acordo com o jornal, a rejuvenesceram e melhoraram suas feições.
O jornal destaca ainda como a candidata chegou a ser ministra da Casa Civil após passar pela Secretaria de Minas e Energia do Rio Grande do Sul e pelo Ministério das Minas e Energia. Segundo o jornal, para chegar ao cargo ela contou com a saída do governo de vários pesos pesados do Partido dos Trabalhadores, principalmente José Dirceu. O jornal também retoma a origem da ex-ministra, que nasceu em Belo Horizonte em 1947, filha de um advogado de origem búlgara, e fala de sua vida na clandestinidade após o endurecimento da ditadura militar, em 1968.
O El País diz que a única interrogação deste domingo é se Dilma será eleita somente com o primeiro turno. O jornal também destaca o apoio do presidente Lula à candidata, uma "ex-guerrilheira" que "virou economista" e chefe de gabinete.

Para o jornal espanhol, a classe C, formada por cerca de 30 milhões de brasileiros que saíram da pobreza extrema nos últimos dez anos, decidirá hoje quem vai suceder o presidente mais popular de sua história, Lula da Silva, e quem recebe sua herança.
 

quinta-feira, 9 de setembro de 2010

Tempo para estrangeiro abrir empresa no Brasil é 4º maior do mundo, diz Banco Mundial



São Paulo
Brasil tem menos restrições do que a média dos países do grupo BRIC
O Brasil é o quarto colocado em um ranking do Banco Mundial que lista 87 países pelo tempo que um estrangeiro gasta em cada um para abrir uma empresa.
Depois de avaliar indicadores sobre normas para investimentos externos em 87 países do mundo, um relatório do Banco Mundial concluiu que a abertura de uma empresa por um estrangeiro no Brasil leva em média 166 dias.
Entre os países avaliados, apenas Angola (263 dias), Haiti (212) e Venezuela (179) têm processos mais demorados para a abertura de empresas por estrangeiros.
Na outra ponta da tabela, estão Ruanda e Geórgia (4 dias), Canadá (6 dias), Afeganistão, Albânia e Belarus (7 dias).
Entre os demais países pesquisados, o processo leva em média 11 dias nos Estados Unidos, 14 na Grã-Bretanha e 99 dias na China.
Índice de facilidade
Apesar do longo processo para a abertura de empresas apontado pelo relatório, o estudo do Banco Mundial coloca o Brasil em uma posição intermediária em um índice de facilidade de estabelecimento de empresas, que leva em consideração também a legislação referente ao tema em cada país.
Em um índice que vai de 0 (mais difícil) a 100 (mais fácil), o Brasil recebeu uma avaliação de 62,5, pouco inferior à média da América Latina e do Caribe (62,8) e um pouco mais abaixo da média global (64,5).
Segundo o estudo, o lugar que oferece a maior facilidade para a abertura de empresas por estrangeiros é a Eslováquia, que recebeu um índice de 92,1. Em seguida aparecem a Romênia, com 89,5, e a Grã-Bretanha e a Polônia, ambos com 85.
O país considerado mais difícil para a abertura de empresas por estrangeiros é a Etiópia, com um índice de 21,1. Gana teve avaliação 34,2, e a Arábia Saudita (onde o tempo médio de abertura de empresas é de apenas 21 dias) recebeu 35.
Restrições
O estudo avalia ainda as restrições sobre a presença de estrangeiros em diversos setores da economia e conclui que no Brasil estas restrições são maiores do que a média dos países da América Latina e do Caribe.
O relatório cita, por exemplo, a restrição à participação máxima de 30% de estrangeiros em empresas de mídia e de 20% nas empresas de transporte aéreo, ou a proibição total à participação de estrangeiros em empresas do setor de saúde.
Apesar disso, o estudo afirma que, comparado com os demais países do grupo Bric (que inclui também Rússia, Índia e China), apenas a Rússia tem menos restrições à participação estrangeira do que o Brasil.
O relatório observa ainda que, apesar das restrições pontuais, “em termos gerais, a legislação brasileira dá tratamento igual a companhias estrangeiras ou locais”.

quinta-feira, 26 de agosto de 2010

Mundo deveria aprender com Brasil a evitar crise de alimentos, diz 'Economist'



Plantação de soja no Brasil (AP/Arquivo)
Revista cita os avanços da Embrapa para a produção de soja
A revista britânica The Economist traz em sua edição desta semana um editorial e um longo artigo sobre a agricultura no Brasil onde enumera os avanços feitos no cultivo de alimentos no país nas últimas décadas e diz que o mundo “deveria aprender com o Brasil” maneiras de evitar uma crise de alimentos.
Citando dados da FAO (agência da ONU para alimentação e agricultura) que apontam que a produção mundial de grãos terá que crescer 50% e a de carne terá que dobrar para suprir a demanda até 2050, a publicação afirma que o Brasil tem características que o tornam um produtor de alimentos de grande relevância nos próximos 40 anos.
Segundo a revista, mais impressionante que o fato de o país ter se tornado nas últimas décadas “o primeiro gigante tropical de agricultura”, ameaçando inclusive os maiores exportadores de alimentos do mundo, é a “maneira” como Brasil o fez.
“Estimulado em parte pelo medo de que não poderia importar suficientes alimentos (nos anos 1970), (o Brasil) decidiu expandir sua produção doméstica por meio de pesquisa científica, não subsídios. No lugar de proteger os fazendeiros da competição internacional – como a maior parte do mundo ainda faz – ele abriu seu mercado e deixou os fazendeiros ineficientes irem à falência”, diz a revista.
Alternativa
Economist afirma que, na contramão das recomendações dos “agropessimistas”, que defendem “pequenas propriedades com práticas orgânicas” e desdenham monoculturas, fertilizantes e alimentos geneticamente modificados, o progresso do Brasil na área foi baseado em grandes propriedades, “apoiado nas pesquisas da Embrapa (Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária) e impulsionado por lavouras geneticamente modificadas”.
“O Brasil é uma alternativa clara à ideia crescente de que, na agricultura, o pequeno e o orgânico são mais bonitos.”
Segundo a revista, as técnicas que tornam a agricultura brasileira “magnificamente produtiva” podem ajudar ainda os países pobres da África e da Ásia.
“Os ingrediente básicos do sucesso do Brasil – pesquisa em agricultura, grandes fazendas, abertura de mercado e novas técnicas de agricultura – podem dar certo em qualquer lugar”, diz a Economist, que afirma ainda que se um sistema parecido for adotado na África, alimentar o mundo em 2050 não será tão difícil como parece ser agora.