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domingo, 3 de outubro de 2010

Lula diz à 'Economist' que não interferirá no próximo governo



Lula
Lula disse que pretende trabalhar por reforma política ao deixar o governo
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva disse em entrevista ao site da revista britânica The Economist, publicada na quinta-feira, que não pretende interferir no governo do seu sucessor.
"Um ex-presidente deve se recolher para algum lugar confortável e tranquilo, e não ficar dando palpite sobre política nacional, deixando seja lá quem for eleito governar o país, cometer erros e acertar, mas deixando eles governarem o país", disse Lula.
O presidente prometeu que continuará ativo na política, mas disse que ainda não pensou no que pretende fazer após o dia 1º de janeiro. Ele afirmou que não quer tomar nenhuma decisão precipitada sobre seu futuro.
Lula disse que como ex-presidente trabalhará para tentar aprovar a reforma política.
"Agora eu estou me comprometendo, quando eu não for mais presidente, a começar a convencer o meu próprio partido, porque eu acho que esta é a principal reforma que temos que fazer no Brasil, para que possamos [depois] fazer as demais reformas", disse Lula ao site da revista britânica.
Lula diz que depois de convencer o PT sobre a importância das reformas, ele poderá trabalhar junto com os demais partidos na aprovação da reforma.
Um ex-presidente deve se recolher para algum lugar confortável e tranquilo, e não ficar dando palpite sobre política nacional.
Lula
O presidente considera que só uma reforma política poderá gerar "partidos fortes e um Congresso forte, para que quem sente nesta cadeira [de presidente] possa firmar acordos importantes com os partidos políticos e os líderes dos partidos".
Sem a reforma, Lula diz que o fator decisivo na política brasileira é "a força individual de cada cidadão, de cada região".
Frustração
O presidente disse à revista que se sente "frustrado" por não ter visto a reforma política aprovada no seu governo, e atribui isso ao fato de "as pessoas não gostarem de mudança".
"Eu aprendi muito e acho que isso vai permitir que, uma vez que eu não seja mais presidente e tenha mais liberdade, eu discuta temas que, como presidente, eu não queria discutir, porque eles não estavam sob a minha competência", diz Lula à revista.
Lula também sugere que como ex-presidente poderá ser mais influente na discussão sobre a reforma das leis trabalhistas, ajudando empregadores e trabalhadores a chegar a um consenso.
Lula revela que "a sua maior surpresa" ao chegar ao governo foi se deparar com "as dificuldades que o próprio Brasil cria para si, com legislações excessivas" que atrasam as decisões do Executivo.
Petrobras e Oriente Médio
Na longa entrevista ao site do The Economist, o presidente brasileiro aborda diversos temas, como o maior controle do Estado sobre a Petrobras, as negociações de paz no Oriente Médio e sugestões para o seu sucessor.
Essas pessoas deveriam devolver seus Prêmios Nobel, já que não há paz.
Lula, sobre negociação de paz no Oriente Médio
Sobre a Petrobras, o presidente defende que o "petróleo pertence ao governo" e afirma que a receita das descobertas do pré-sal precisa beneficiar a população brasileira. O novo marco regulatório do setor, para Lula, é melhor do que a estrutura anterior, que "funciona bem apenas para as empresas petrolíferas".
Lula criticou o processo de negociação de um acordo de paz no Oriente Médio. Segundo o presidente brasileiro, as discussões não incluem todas as vozes necessárias para se chegar à paz.
"Cada vez que eles sentam para conversar, eles ganham um Prêmio Nobel. Eles deram dez Prêmios Nobel pela paz em Israel e Oriente Médio, e a paz não aconteceu. Essas pessoas deveriam devolver seus Prêmios Nobel, já que não há paz."
Sobre o próximo presidente brasileiro, Lula diz que o seu sucessor deve "fazer política com o coração, cuidar dos mais pobres e praticar a democracia até o fim absoluto".
O presidente diz acreditar na vitória de sua candidata, Dilma Rousseff, que "surpreenderá o mundo" quando chegar ao poder.
"A Dilma é tão democrática quanto eu, tão socialista quanto eu e tão responsável quanto eu. Talvez por ser mulher ela possa fazer mais, porque precisamos dar mais poder às mulheres na política", diz Lula.
Lula diz que seu sonho é ver o próximo presidente ajudar mais pessoas pobres a chegarem à classe média pobre.
Ele disse que não pensa, no momento, em se candidatar à Presidência em 2014.
"Terei 68 anos. Aos 68, os anos pesam. Se eu eleger a Dilma e ela for boa, ela terá que ser candidata à reeleição."

quinta-feira, 10 de junho de 2010

Um dos protagonistas da era Dunga, Elano diz ser feliz como coadjuvante


Meia esteve nos últimos dois títulos do Brasil e é um dos mais convocados pelo técnico. Porém, ele prefere não ganhar rótulo de estrela
Elano esteve na primeira convocação da Era Dunga. O meia participou também de vários jogos das eliminatórias e conquistou a Copa América e a Copa das Confederações. Retrospecto que faz do camisa 7 um dos principais jogadores da seleção brasileira. Mas não para o próprio. Ele quer mesmo é ser coadjuvante.
- Sempre me considerei um coadjuvante e fico feliz por me sentir assim. Foi dessa maneira que venci na carreira. Em nenhum momento me preocupo em ser a estrela do time. Quero mesmo é ser parte de um grupo vencedor – declarou Elano, durante entrevista coletiva nesta quinta-feira, no Randpark Golf Club, em Joanesburgo.
O discurso do meia é típico dessa seleção formada por Dunga. Todos preferem deixar o status de protagonista para Kaká e Robinho. Até mesmo o goleiro Julio Cesar, considerado um dos melhores do mundo na posição. Para Elano, não há motivo para colocar uma pressão ainda maior às vésperas da Copa do Mundo.
Em nenhum momento me preocupo em ser a estrela do time. Quero mesmo é ser parte de um grupo vencedor"
Elano
- Todos os dias eu tiro 30 minutos para pensar na vida. E quando deito na cama penso que é muito bom estar aqui entre os 23 escolhidos por Dunga. Cabe agora eu pensar que estou disputando o meu primeiro Brasileiro pelo Santos. Não adianta eu colocar pressão sobre mim – acrescentou o meia.
Se a pressão é ignorada por Elano, o clima de Copa do Mundo já o contagiou. Mas de qualquer maneira ele quer manter a calma.
- Temos de manter a cabeça tranquila para o corpo funcionar bem, mas já estamos no clima da Copa – finalizou o camisa 7 da seleção brasileira.
A estreia do Brasil na Copa do Mundo será na próxima terça-feira, dia 15 de junho, contra a Coreia do Norte, no estádio Ellis Park, em Joanesburgo.