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quinta-feira, 26 de agosto de 2010

Talebã leva ONU a reavaliar operação no Paquistão



Crianças no Paquistão
Depois do norte, o sul do Paquistão sofre a ameaça das cheias
Um porta-voz da ONU na capital do Paquistão, Islamabad, disse nesta quinta-feira que a organização está reavaliando seus procedimentos de segurança no país depois que surgiu a alegação de que o Talebã planeja ataques que poderiam ter seus funcionários como alvo.
Um funcionário do governo dos Estados Unidos disse que o Talebã no Paquistão quer atacar estrangeiros que atuarem na ajuda humanitária aos afetados pelas enchentes no país.
O funcionário, que pediu para não ter seu nome revelado, disse à BBC que o Talebã planeja "realizar ataques contra estrangeiros participando dos esforços presentes nas operações humanitárias no Paquistão".
Ele também disse que "ministros do governo federal em Islamabad" estão sob ameaça.
Segundo a ONU, a alegação é séria e qualquer mudança que venha a ser adotada no atendimento às vítimas das cheias vai tornar o trabalho mais lento e caro.
Doações
Este é o primeiro alerta do governo americano sobre ameaça do Talebã no Paquistão desde o começo das enchentes. Na semana passada, o governo paquistanês havia alertado que a tragédia no país pode fortalecer grupos de insurgentes, como o Talebã.
Os Estados Unidos estão entre os países que enviaram doações ao Paquistão. A Agência Internacional de Desenvolvimento dos Estados Unidos afirma ter doado US$ 150 milhões para as vítimas das enchentes.
A ONU afirma que mais de 17 milhões de pessoas já foram afetadas pelas enchentes provocadas pelas chuvas de monções deste mês, e cerca de 1,2 milhão de casas foram destruídas.
Cerca de cinco milhões de paquistaneses não têm abrigo e precisam urgentemente de barracas para se protegerem do sol.
O Paquistão recebeu a promessa de mais de US$ 700 milhões em ajuda internacional.
No norte do Paquistão, o nível das águas já está diminuindo e a ONU solicitou mais helicópteros para ajudar 800 mil pessoas que estão sem conseguir receber comida e mantimentos.
Agora, a subida das águas no populoso sul do país põe em risco as vidas de outras milhares de pessoas.
Calamidade
Na província sulista de Sindh, dezenas de vilas já ficaram submersas e 200 mil pessoas tiveram que deixar a área. As autoridades já evacuaram muitas pequenas cidades.
Perto do vilarejo de Shahdadkot, soldados estão tendo que erguer barreiras de emergência contra as enchentes depois que as existentes cederam.
Na terça-feira, o primeiro-ministro paquistanês, Yousuf Raza Gilani, disse que o Paquistão está enfrentando "a pior calamidade pública da sua história".
A ONU estima que 1,6 milhões de pessoas foram afetadas por doenças relacionadas à má qualidade da água, como cólera, diarreia e disenteria.
"Só no último dia, mais de 100 mil pessoas ficaram doentes e precisaram de algum tipo de tratamento", disse à BBC o porta-voz da Organização Mundial da Saúde.
O governo paquistanês está negociando nesta semana em Washington com o FMI um pacote de empréstimo no valor de US$ 11 bilhões. O impacto das enchentes é grande no setor agrícola do Paquistão, já que 17 mil quilômetros quadrados de terra foram destruídos.

quinta-feira, 15 de julho de 2010

Diálogo sobre programa nuclear do Irã começará em setembro, diz ministro

Chanceler diz que país quer a presença de Brasil e Turquia nas negociações
15 de julho de 2010 | 1TEERÃ - As negociações entre o Irã e as potências ocidentais sobre um plano de fornecimento de material nuclear para o reator nuclear de Teerã devem começar no fim de setembro, afirmou nesta quinta-feira, 15, o ministro de Exteriores iraniano, Manoucher Mottaki, à agência de notícias Bloomberg, citada pelo jornal israelense Ha'aretz.

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Segundo o comunicado da chancelaria israelense, Mottaki também pediu que a Turquia e o Brasil estejam presentes nas negociações, apesar das declarações de ambos os países de que diminuiriam seu envolvimento no assunto. "A Turquia e o Brasil ainda adotam a mesma postura e são bem-vindos nas negociações", disse Mottaki, acrescentando que esses países deveriam estar presentes na discussão para "garantir que as negociações sejam realizadas da maneira devida".

Na segunda-feira, a secretária de Estado dos EUA, Hillary Clinton, conversou com o chanceler turco, Ahmet Davutoglu. Segundo autoridades americanas, Davutolgu concordou com Hillary que a questão do programa nuclear iraniano deve ser tratada pelo Conselho de Segurança e pela Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA).

O chanceler brasileiro, Celso Amorim, por sua vez, disse no mês passado que a luta do País pela defesa do programa nuclear iraniano pode encontrar barreiras nas sanções impostas pelo Conselho. "Nós ajudaremos sempre que pudermos, mas é claro que há um limite de até onde nós podemos ir", disse.

Brasil e Turquia firmaram um acordo com Teerã para realizar uma troca de combustível nuclear, pacto que o Irã preferiu ao apresentado pela AEIA. O acordo, porém, não foi aceito pelo Grupo de Viena (EUA, França e AEIA) e o câmbio de urânio não foi realizado.

No mês passado, o presidente do Irã, Mahmoud Ahmadinejad, disse que o Irã não dialogaria com o Ocidente sobre o programa nuclear até o fim de agosto para punir as potências por impor uma nova rodada de sanções do Conselho de Segurança da Organização das Nações Unidas (ONU). Ele ainda disse que esses países que querem negociar precisam se posicionar oficialmente contra o suposto arsenal nuclear de Israel.

As sanções eram pretendidas pelas potências ocidentais pelos temores de que o programa nuclear do Irã tenha como objetivo a produção de armas nucleares. Teerã, porém, nega e diz que enriquece urânio apenas para fins pacíficos.

3h 54