Mostrando postagens com marcador liderança. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador liderança. Mostrar todas as postagens
quinta-feira, 30 de setembro de 2010
A fome de Marina (Belíssimo texto)
*A FOME DE MARINA*
*Por José Ribamar Bessa Freire*** *
**
Há pouco, Caetano Veloso descartou do seu horizonte eleitoral o presidente
Lula da Silva, justificando: “Lula é analfabeto”. Por isso, o cantor baiano
aderiu à candidatura da senadora Marina da Silva, que tem diploma
universitário. Agora, vem a roqueira Rita Lee dizendo que nem assim vota em
Marina para presidente, “porque ela tem cara de quem está com fome”.
Os Silva não têm saída: se correr o Caetano pega, se ficar a Rita come.
Tais declarações são espantosas, porque foram feitas não por pistoleiros
truculentos, mas por dois artistas refinados, sensíveis e contestadores,
cujas músicas nos embalam e nos ajudam a compreender a aventura da
existência humana.
Num país dominado durante cinco séculos por bacharéis cevados, roliços e
enxudiosos, eles naturalizaram o canudo de papel e a banha como requisitos
indispensáveis ao exercício de governar, para o qual os Silva, por serem
iletrados e subnutridos, estariam despreparados.
Caetano Veloso e Rita Lee foram levianos, deselegantes e preconceituosos.
Ofenderam o povo brasileiro, que abriga, afinal, uma multidão de silvas
famélicos e desescolarizados.
De um lado, reforçam a ideia burra e cartorial de que o saber só existe se
for sacramentado pela escola e que tal saber é condição *sine qua non* para
o exercício do poder. De outro, pecam querendo nos fazer acreditar que quem
está com fome carece de qualidades para o exercício da representação
política.
A rainha do rock, debochada, irreverente e crítica, a quem todos admiramos,
dessa vez pisou na bola. Feio.“Venenosa! Êh êh êh êh êh!/ Erva venenosa, êh
êh êh êh êh!/ É pior do que cobra cascavel/ O seu veneno é cruel…/ Deus do
céu!/ Como ela é maldosa!”.
Nenhum dos dois - nem Caetano, nem Rita - têm tutano para entender esse
Brasil profundo que os silvas representam.
A senadora Marina da Silva tem mesmo cara de quem está com fome? Ou se trata
de um preconceito da roqueira, que só vê desnutrição ali onde nós vemos uma
beleza frágil e sofrida de Frida Kahlo, com seu cabelo amarrado em um coque,
seus vestidos longos e seu inevitável xale? Talvez Rita Lee tenha razão em
ver fome na cara de Marina, mas se trata de uma fome plural, cuja geografia
precisa ser delineada. Se for fome, é fome de quê?
*O mapa da fome *
*A primeira fome de Marina é, efetivamente, fome de comida, fome que roeu
sua infância de menina seringueira, quando comeu a macaxeira que o capiroto
ralou. Traz em seu rosto as marcas da pobreza, de uma fome crônica que
nasceu com ela na colocação de Breu Velho, dentro do Seringal Bagaço, no
Acre.*
Órfã da mãe ainda menina, acordava de madrugada, andava quilômetros para
cortar seringa, fazia roça, remava, carregava água, pescava e até caçava.
Três de seus irmãos não aguentaram e acabaram aumentando o alto índice de
mortalidade infantil.
Com seus 53 quilos atuais, a segunda fome de Marina é dos alimentos que,
mesmo agora, com salário de senadora, não pode usufruir: carne vermelha,
frutos do mar, lactose, condimentos e uma longa lista de uma rigorosa dieta
prescrita pelos médicos, em razão de doenças contraídas quando cortava
seringa no meio da floresta. Aos seis anos, ela teve o sangue contaminado
por mercúrio. Contraiu cinco malárias, três hepatites e uma leishmaniose.
A fome de conhecimentos é a terceira fome de Marina. Não havia escolas no
seringal. Ela adquiriu os saberes da floresta através da experiência e do
mundo mágico da oralidade. Quando contraiu hepatite, aos 16 anos, foi para a
cidade em busca de tratamento médico e aí mitigou o apetite por novos
saberes nas aulas do Mobral e no curso de Educação Integrada, onde aprendeu
a ler e escrever.
Fez os supletivos de 1º e 2º graus e depois o vestibular para o Curso de
História da Universidade Federal do Acre, trabalhando como empregada
doméstica, lavando roupa, cozinhando, faxinando.
Fome e sede de justiça: essa é sua quarta fome. Para saciá-la, militou nas
Comunidades Eclesiais de Base, na associação de moradores de seu bairro, no
movimento estudantil e sindical. Junto com Chico Mendes, fundou a CUT no
Acre e depois ajudou a construir o PT.
Exerceu dois mandatos de vereadora em Rio Branco , quando devolveu o
dinheiro das mordomias legais, mas escandalosas, forçando os demais
vereadores a fazerem o mesmo. Elegeu-se deputada estadual e depois senadora,
também por dois mandatos, defendendo os índios, os trabalhadores rurais e os
povos da floresta.
Quem viveu da floresta, não quer que a floresta morra. A cidadania ambiental
faz parte da sua quinta fome. Ministra do Meio Ambiente, ela criou o Serviço
Florestal Brasileiro e o Fundo de Desenvolvimento para gerir as florestas e
estimular o manejo florestal.
Combateu, através do Ibama, as atividades predatórias. Reduziu, em três
anos, o desmatamento da Amazônia de 57%, com a apreensão de um milhão de
metros cúbicos de madeira, prisão de mais 700 criminosos ambientais,
desmonte de mais de 1,5 mil empresas ilegais e inibição de 37 mil
propriedades de grilagem.
*Tudo vira bosta*
Esse é o retrato das fomes de Marina da Silva que - na voz de Rita Lee - a
descredencia para o exercício da presidência da República porque, no frigir
dos ovos, “o ovo frito, o caviar e o cozido/ a buchada e o cabrito/ o
cinzento e o colorido/ a ditadura e o oprimido/ o prometido e não cumprido/
e o programa do partido: tudo vira bosta”.
Lendo a declaração da roqueira, é o caso de devolver-lhe a letra de outra
música - ‘Se Manca’ - dizendo a ela: “Nem sou Lacan/ pra te botar no divã/ e
ouvir sua merda/ Se manca, neném!/ Gente mala a gente trata com desdém/ Se
manca, neném/ Não vem se achando bacana/ você é babaca”.
Rita Lee é babaca? Claro que não, mas certamente cometeu uma babaquice. Numa
de suas músicas - ‘Você vem’ - ela faz autocrítica antecipada, confessando:
“Não entendo de política/ Juro que o Brasil não é mais chanchada/ Você vem…
e faz piada”. Como ela é mutante, esperamos que faça um gesto grandioso, um
pedido de desculpas dirigido ao povo brasileiro, cantando: “Desculpe o auê/
Eu não queria magoar você”.
A mesma bala do preconceito disparada contra Marina atingiu também a
ministra Dilma Rousseff, em quem Rita Lee também não vota porque, “ela tem
cara de professora de matemática e mete medo”. Ah, Rita Lee conseguiu o
milagre de tornar a ministra Dilma menos antipática! Não usaria essa imagem,
se tivesse aprendido elevar uma fração a uma potência, em Manaus, com a
professora Mercedes Ponce de Leão, tão fofinha, ou com a nega Nathércia
Menezes, tão altaneira.
Deixa ver se eu entendi direito: Marina não serve porque tem cara de fome.
Dilma, porque mete mais medo que um exército de logaritmos, catetos,
hipotenusas, senos e co-senos. Serra, todos nós sabemos, tem cara de
vampiro. Sobra quem?
Se for para votar em quem tem cara de quem comeu (e gostou), vamos
ressuscitar, então, Paulo Salim Maluf ou Collor de Mello, que exalam saúde
por todos os dentes. Ou o Sarney, untuoso, com sua cara de ratazana
bigoduda. Por que não chamar o José Roberto Arruda, dono de um apetite voraz
e de cuecões multi-bolsos? Como diriam os franceses, “il péte de santé”.
O banqueiro Daniel Dantas, bem escanhoado e já desalgemado, tem cara de quem
se alimenta bem. Essa é a elite bem nutrida do Brasil…
*Rita Lee não se enganou: Marina tem a cara de fome do Brasil, mas isso não
é motivo para deixar de votar nela, porque essa é também a cara da
resistência, da luta da inteligência contra a brutalidade, do milagre da
sobrevivência, o que lhe dá autoridade e a credencia para o exercício de
liderança em nosso país.*
*Marina Silva, a cara da fome? Esse é um argumento convincente para votar
nela. Se eu tinha alguma dúvida, Rita Lee me convenceu definitivamente.*
*Por *José Ribamar Bessa Freire
*Professor, coordena o Programa de Estudos dos Povos Indígenas (UERJ)e
pesquisa no Programa de Pós-Graduação em Memória Social (UNIRIO)*
quinta-feira, 26 de agosto de 2010
Vox Populi/iG: Cid Gomes lidera disputa no Ceará com 51%
Levantamento encomendado pelo iG dá ao segundo colocado Lúcio Alcântara 20% das intenções de voto
O governador do Ceará, Cid Gomes (PSB), candidato à reeleição, venceria a eleição no primeiro turno com 51%, segundo pesquisa Vox Populi/iG desta quinta-feira. Lúcio Alcântara (PR) aparece com 20%, Marcos Cals (PSDB) com 10% e Marcelo Silva (PV) com 1%. Os demais candidatos não pontuaram. Brancos e nulos totalizaram 4% e indecisos 14%. A margem de erro da pesquisa é de 3,5 pontos percentuais para mais ou para menos.
De acordo com o Vox Populi, 69% dos entrevistados disseram que não mudarão seus votos e 29% admitiram que ainda podem mudar. Cid Gomes é apontado como candidato com mais chance de vitória por 68% e Alcântara por 13%. A rejeição ao governador é de 20%, a Alcântara 19% e a Cals 8%
Na pesquisa espontânea Cid tem 37% contra 12% de Alcântara.
Senado
O senador Tasso Jereissati (PSDB) lidera a disputa ao Senado com 31% seguido por Eunício Oliveira (PMDB) e José Pimentel (PT), com 14%. Tarcísio Leitão (PCB), Alexandre Pereira (PPS) e Milene Torres (PSOL) marcaram 1%. Os brancos e nulos somam 7% e os indecisos 25%.
Os dados consideram a soma das votações para as duas vagas no Senado. Quando questionados a quem dedicariam o primeiro voto, 47% dos entrevistados responderam Tasso, 13% indicaram Eunício e 10% Pimentel.
A maioria dos entrevistados, 60%, acredita que Tasso será eleito na primeira vaga ao Senado pelo Ceará, enquanto 28% apostam em Eunício e 20% em Pimentel para a segunda vaga.
Dilma chega a 67%
A candidata do PT, Dilma Rousseff, lidera com folga a disputa presidencial no Ceará com 67% contra 20% do tucano José Serra e 5% de Marina Silva (PV). Os brancos e nulos são 4%, mesmo percentual dos indecisos.
A avaliação positiva do governo Cid Gomes é de 54%, regular 34% e negativa 10%. Já o presidente Luiz Inácio Lula da Silva tem uma das maiores taxas de aprovação no Estado, 90% de positivo e 10% de regular. O índice de avaliação negativa de Lula no Ceará é de 0%.
segunda-feira, 7 de junho de 2010
Rodada #7: emoção em preto e branco por liderança antes da Copa

Cabeça de Paulo André garante empate ao Timão contra o Botafogo e 1º lugar no Brasileiro. Azar do Ceará, que bateu Galo e quase ficou líder isolado
Com o refrão "Arrepia, zagueiro, limpa a área, zagueiro", o músico Jorge Ben Jor homenageava em canção dos anos 70 todos aqueles que se destacavam com destemor na posição normalmente desvalorizada no futebol. Mas por muitas vezes o bom xerife sai da área que defende com unhas e dentes e vai à adversária para decidir. Foi assim que o garoto Paulo André, do Corinthians, deu toque especial à emoção em preto e branco da rodada #7 do Brasileirão, a última antes da paralisação para a Copa do Mundo na África do Sul.
Com o gol de empate por 2 a 2 com o Botafogo no último minuto, no Engenhão, Paulo André garantiu ao Corinthians liderança por mais de um mês em um dos campeonatos mais disputados do mundo. Realizou o sonho tão desejado do seu treinador, Mano Menezes, que agora poderá fazer os ajustes que quiser com a maior tranquilidade possível para seguir na busca por um título no ano do centenário. E tirou de outro torcedor alvinegro, o do Ceará, uma alegria que durou poucos minutos. Sim, o Vovô bateu o Atlético-MG em Minas por 1 a 0 - é bom lembrar que o gol de Washington foi irregular - e, com a parcial vitória botafoguense no Engenhão, saía do Mineirão com um primeiro lugar que deixaria o clube em festa por um bom tempo.
A frustração no fim, no entanto, não diminui os méritos do time treinado por PC Gusmão, que segue como uma das surpresas do campeonato. Está em segundo lugar com o mesmo número de pontos do líder - 17. Perde no saldo de gols, mas mantém a invencibilidade e tem a defesa menos vazada, com apenas um gol sofrido. No seu encalço, com dois pontos atrás, vê se aproximar o Fluminense, que no sábado atropelou o Avaí em plena Ressacada por 3 a 0 e, cada vez mais, mostra a cara de Muricy Ramalho, um mestre em conquistar Brasileiros.
Na dança das cadeiras do G-4, saiu o atual campeão, o Flamengo, derrotado também no sábado pelo Goiás no Maracanã por 2 a 1 - deixando a torcida preocupada com o futuro da equipe, destroçada com a saída de Adriano e muito provavelmente de Vagner Love - , e entrou outro alvinegro: o Santos resolveu acordar no sprint final da fase pré-Copa e, com show dos garotos e em especial de Madson, aplicou goleada de 4 a 0 no Vasco, que continua na zona de rebaixamento, com cinco pontos, em 19º lugar.
Em relação à rodada anterior, os ataques funcionaram melhor, e a média de gols subiu de 2,1 para 2,6 nas dez partidas realizadas. Como destaque, a goleada santista de 4 a 0 sobre o Vasco, os triunfos do Flu por 3 a 0 sobre o Avaí e o do São Paulo por 3 a 1 sobre o Grêmio, com apenas dois empates - nenhum de 0 a 0: o de Botafogo 2 x 2 Corinthians e o de Inter 1 x 1 Palmeiras.
Confira aqui a classificação do Brasileirão
No aspecto disciplinar, a situação melhorou em relação à sexta rodada. Os árbitros distribuíram 41 cartões amarelos, 17 a menos que a anterior, recordista na competição deste ano. O número de expulsões caiu pela metade: foram apenas duas.A rodada que teve mais expulsões até o momento foi a terceira, com nove.
Números da rodada
2,6 gols por jogo
41 cartões amarelos
2 cartões vermelhos
Veja a galeria de fotos da rodada #7
Outra grande surpresa após o fim da rodada #7 do Brasileirão foi o Guarani. A vitória por 1 a 0 em casa sobre o Grêmio Prudente o fez pular para o 5º lugar na tabela de classificação. Abaixo dele vem logo o São Paulo, que com o show de Dagoberto, autor dos três gols, bateu o Grêmio por 3 a 1 e reagiu na tabela. O lado negativo do Tricolor Paulista foi o quarto pênalti perdido pelo goleiro Rogério Ceni, que no entanto teve grande atuação debaixo das traves, com boas defesas.
No clássico das grandes decepções das sete primeiras rodadas, Internacional e Palmeiras ficaram no empate por 1 a 1 no Beira-Rio e mostraram às torcidas que vão precisar melhorar, e muito na volta após a Copa. O resultado, pelo menos, tirou os colorados da zona de rebaixamento - com sete pontos ganhos, agora ocupam a 16ª colocação, com 7 pontos ganhos. O Verdão, em 10º lugar, com nove pontos, aguarda a chegada de Kleber e outros reforços, além de novo treinador - mesmo caso dos gaúchos, que ainda disputarão a semifinal da Libertadores com o São Paulo e também estão com técnico interino.
O sinal de alerta, ligado para a dupla e o Flamengo, que caiu para 9º lugar, está ligado também para o Cruzeiro. Já sem o técnico Adilson Batista, o time foi derrotado pelo lanterna da competição, o Atlético-GO, e está em 11º, com nove pontos. Um à frente de Grêmio (12º), Avaí (13º), Vitória (14º), Grêmio Prudente (15º) e Inter (16º), que formam o bloco dos oito pontos.
Logo depois, na parte de baixo da tabela, o Atlético-GO segue na lanterna, mas, com a vitória sobre o time celeste, somou quatro pontos e encostou no penúltimo colocado, o Vasco, com cinco. O Atlético-MG, com seis, e o Atlético-PR, com sete, também passarão a Copa do Mundo na zona de rebaixamento, ocupando, respectivamente, a 18ª e 17ª posições.
A rodada reservou lances bem curiosos. Como o mico do goleiro do Vasco, Fernando Prass, que após uma defesa, na tentativa de sair jogando, botou a bola no chão e não percebeu a presença de Léo, que a roubou. O goleiro acabou cometendo o pênalti que abriu caminho para a goleada do Pelxe por 4 a 0.
Há também as boas defesas da muralha Rogério Ceni na vitória do São Paulo sobre o Grêmio, o erro de arbitragem ao não marcar o impedimento no gol de Washington na vitória do Ceará sobre o Atlético-MG no Mineirão, o golaço de Hugo e o drible sensacional de Wellington Saci, no triunfo do Goiás sobre o Flamengo, no Maracanã.
Marcadores:
branco,
brasileiro,
corinthians,
emoção,
liderança,
preto,
rodada
Assinar:
Postagens (Atom)